O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira (5) que, no futuro, o Brasil precisa ter ousadia para reduzir o centro da meta de inflação, atualmente estabelecido em 4,5% ao ano. Tombini participa de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Apesar de defender um índice menor, Tombini não se comprometeu com um percentual e nem com uma data. Ele justificou a decisão tomada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) na semana passada, que manteve em 4,5% a meta para 2013, pelos efeitos da crise econômica que ainda atinge a Europa e os Estados Unidos.
- O Brasil tem de ter a ousadia de, no futuro, pensar numa convergência menor. Não foi o momento de fazer isso agora, foi uma decisão unânime do CMN de deixar [a meta de inflação] como está em 2013. Estamos lidando com a segunda volta da crise no cenário exterior, temos as consequências dos excessos de 2007 e 2008 e a forma de enfrentar é jogar muita liquidez no mercado.
O otimismo do presidente do BC em reduzir a meta de inflação respinga, em parte, na previsão para 2011. Segundo Tombini, a inflação começa a ceder e deve convergir para o centro da meta, que é de 4,5%.
Na última semana, o Banco Central divulgou o relatório trimestral de inflação, onde elevou previsão para 2011 de 5,6% para 5,8% ao ano. A previsão de inflação para o ano que vem também aumentou de 4,6% para 4,8%. A expectativa de atingir o centro da meta ficou apenas para o segundo trimestre de 2013, quando a previsão é de que a inflação fique em 4,4%.
- Em 2013 ainda teremos os efeitos da pior crise financeira dos últimos 80 anos. Alguns países vão chegar à conclusão de que a meta de inflação deve aumentar, nós temos que ter ousadia de ter meta de inflação menor.
Audiência
De acordo com resolução do Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos deve promover audiências públicas regulares com o presidente do Banco Central "para discutir as diretrizes, implementação e perspectivas futuras da política monetária".
As audiências públicas devem ocorrer, preferencialmente, na primeira quinzena dos meses de fevereiro, abril, julho e outubro, podendo haver alterações de datas decorrentes de entendimento entre a comissão e a presidência do Banco Central.
Fonte: Record
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