O diário britânico Financial Times alerta, em artigo divulgado nesta semana, para um possível risco de crédito no mercado brasileiro nos próximos anos. Desde fevereiro, diz o jornal, aumenta o atraso do pagamento de dívidas do consumidor, o que provocaria uma expansão do calote no país. A partir de então, a situação se deteriorou e, agora, as pressões estão construindo um ciclo de crédito no Brasil.
O artigo destaca o aumento dos juros dos empréstimos para o consumidor, que subiram de 41% ao ano em 2010 para 47% ao ano em maio deste ano. O aumento do preço do crédito se deve às medidas do Banco Central brasileiro para conter a escalada da inflação.
O jornal afirma que, como as pessoas com alto poder aquisitivo precisam menos de dinheiro emprestado, é a classe média quem mais toma empréstimos.
Segundo a publicação, os bancos menores já encontram dificuldades para encontrar financiamentos – pelo menos três instituições financeiras já acusaram o golpe, segundo a matéria.
Enquanto isso, o atraso dos pagamentos em mais de 15 dias no Brasil subiu de 7,8% em dezembro de 2010 para 9,1% em maio deste ano. De acordo com o FT, a inadimplência está em alta e preocupa.
O jornal britânico afirma que os indicadores de crédito pioraram, apesar de a economia brasileira ter se fortalecido e a taxa de desemprego ter atingido nível recorde.
O jornal adverte que é necessário reestruturar o caminho do crédito para dispensar empréstimos aos consumidores. Mais do que emprestar, segundo o jornal, é preciso ter as garantias do pagamento do empréstimo – inclusive no caso do crédito imobiliário.
A publicação sugere que o Brasil conjugue três fundamentos básicos para ter um ciclo de crédito sustentável: um nível aceitável de garantia de pagamento, uma infraestrutura sólida para amparar a expansão do crédito e um patamar adequado para as taxas de juros.
Sem esses pilares, o FT alerta que o Brasil estará exposto a constantes ciclos econômicos, ou seja, alterando altos e baixos na oferta de crédito. Infelizmente, estamos sujeitos todos os dias a passar de um boom para um colapso no crédito.
Fonte: Record
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