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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A sinuca de bico da política de juros


Apesar da elevação recente da inflação, a desaceleração do nível de atividade revelada pelos indicadores do Produto Interno Bruto (PIB), relativos ao terceiro trimestre, foi importante para o Comitê de Política Monetária (Copom) se decidir, em 08 de dezembro, pela manutenção dos juros em 10,75%. A decisão do Copom, que manteve o Brasil na liderança do ranking mundial de juros reais, também levou em conta as medidas governamentais que entraram em vigor a partir de 06/12, que visam exatamente interferir no crédito e na liquidez da economia, esfriando um pouco o ritmo de consumo.

 As principais são: elevação do compulsório sobre depósitos à vista e a prazo, reduzindo os recursos que os bancos têm disponíveis para emprestar; encarecimento do crédito de longo prazo nas instituições bancárias para as pessoas físicas; aumento da parcela dos depósitos a prazo que deve ser recolhida pelos bancos ao BC de 15% para 20%´; aumento do adicional de compulsório para depósitos à vista e a prazo - de 8% 12% - e redução dos limites de dedução desse recolhimento para bancos menores. Segundo o governo, o conjunto de medidas anunciadas enxugará 61 bilhões em reais da economia, reduzindo a disponibilidade de crédito.

As referidas medidas, além de reduzir a oferta de crédito, devem causar impacto sobre o nível de atividade econômica, inflação, ritmo de crescimento da demanda. A estratégia do Copom é aguardar os efeitos das medidas sobre o crédito e a liquidez, para decidir se inicia ou não um novo ciclo de elevação da Selic. Segundo cálculos do Copom o conjunto das medidas terá efeito semelhante a uma elevação da taxa básica entre 0,5% e 1,5%. O momento é muito complicado para a elevação dos juros. A indústria enfrenta problemas no ritmo de produção, em decorrência do problema cambial e as medidas para conter o crédito e o consumo podem piorar ainda mais a situação da indústria. Por outro lado, o governo já anunciou corte de gastos para 2011, o que certamente afetará o nível de atividade e o próprio emprego.

Para combater uma inflação localizada, decorrente da pressão dos alimentos, o
governo pode tomar uma medida com sérias conseqüências no nível de atividade e no próprio ritmo de investimentos na economia. O risco de um novo ciclo de elevação de juros a partir de janeiro de 2011 é bastante concreto. Têm sido recorrentes as análises vindas do chamado “mercado” indicando a elevação da Selic como principal antídoto para o aumento da inflação, colocando o Copom numa espécie de sinuca de bico.


 
José Álvaro de Lima Cardoso Economista e supervisor técnico do DIEESE em Santa Catarina

Sinal de alerta

O crescimento da inadimplência será uma das complicações com as quais o Banco Central terá de lidar no ano que vem. Ao mesmo tempo em que terá que lutar para reduzir a inflação — que está se distanciando do centro da meta — o BC não poderá encarecer demais o crédito. Os juros em alta podem desatar uma onda de atrasos nos pagamentos. A inadimplência está subindo há sete meses.

O Brasil não está diante de uma crise de crédito, mas dado que outros países passaram recentemente por fortes colapsos da capacidade de pagamento, todo o cuidado é pouco. Até porque os juros aqui são os mais altos do mundo.

Especialistas ouvidos pela coluna concordam que já há sinais de perigo em alguns indicadores de crédito. A decisão tomada recentemente pelo BC de reduzir o dinheiro em circulação está encarecendo o crédito. Novas altas da Selic, como as esperadas para o ano que vem, tornarão o dinheiro ainda mais caro, com prazos menores.

Dados da Serasa Experian mostram que a inadimplência teve a maior alta para o mês de novembro dos últimos cinco anos.

O analista de instituições financeiras da Austin Rating Luis Miguel Santacreu explica que estamos entrando num momento oposto ao que foi visto nos últimos dois anos, com o crescimento expressivo do crédito mascarando problemas na inadimplência. É um efeito basicamente estatístico: se há mais crédito circulando, proporcionalmente a inadimplência cai.

— Se há um aumento na carteira de crédito dos bancos, a inadimplência diminui percentualmente, porque há uma diluição. Mas agora o crédito vai crescer menos e o efeito estatístico não vai ajudar — explicou.

A Serasa Experian divulgou na segunda-feira que a inadimplência dos consumidores cresceu 3,5% em novembro, na comparação com outubro, e 23,2% em relação ao mesmo mês de 2009. Como este ano o país está crescendo, a renda aumentando, e o mercado de trabalho num bom momento, o normal seria a queda e não a elevação dos atrasos no pagamento. O aumento maior foi no crédito concedido por financeiras, empresas de cartão de crédito e empresas não financeiras, como lojas de varejo de eletroeletrônicos e empresas de telefonia. O assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida, diz que a tendência é de $na inadimplência no início do ano, período em que normalmente crescem as despesas das famílias com educação, impostos e seguros.

— Não temos sinais de que as famílias estão usando o 13º salário para o pagamento de dívidas — explicou.
A Serasa mede o volume de atrasos de pagamentos total, inclusive em financeiras e empresas de varejo. O BC registra o que acontece somente no sistema bancário, e em relação ao crédito total da economia.

O gerente de indicadores da Serasa, Luiz Rabi, explica um fato tranquilizador:
— Medimos todos os atrasos que entram no sistema. Então se há mais crédito concedido, haverá também maior inadimplência em comparação com períodos anteriores. Em 12 meses, a inadimplência está na faixa de 5%, bem abaixo do crescimento real do crédito, de 15%. Então não há sinais de bolhas, por enquanto.

Em 2011, o crescimento do PIB será menor, os juros devem subir, e o ritmo do aumento do crédito será menor. A conjuntura ficará um pouco mais difícil.
— Há muito emprego de prestação de serviços, autônomos, áreas que sentem mais rapidamente qualquer desaceleração da economia — disse Luis Miguel.

O economista José Alfredo Lamy, da Cenário Investimentos, acha que tudo depende da situação internacional. Uma piora na Europa, desaceleração na China, ou até mesmo uma melhora rápida nos Estados Unidos, que leve a aumento de juros, podem ter efeito sobre nossa taxa de crescimento ou sobre o fluxo de capitais para o Brasil.


— Nesse cenário, o crédito mundial ficará mais escasso e caro para os próprios bancos. Isso quer dizer que eles vão depender mais do retorno dos empréstimos já concedidos — afirmou.

Enfim, um país que vive uma rápida expansão do crédito tem que se proteger dos riscos. A economia mundial acaba de nos ensinar que com o endividamento das famílias não se brinca.
Fonte: Blog Miriam Leitão – Globo.com

Lula e Mantega anunciam hoje pacote para financiamento de longo prazo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciam na tarde desta quarta-feira , 15, no Palácio do Planalto, o pacote de medidas elaborado pelo governo para estimular os bancos a alongarem o financiamento às empresas. Entre as medidas constam a redução de depósitos compulsórios - dinheiro que os bancos são obrigados a deixar no Banco Central - para estimular investimentos em infraestrutura e habitação.

O pacote inclui ainda a isenção de Imposto de Renda para aplicações em debêntures emitidas pelas empresas para financiar projetos específicos de infraestrutura , além de propostas de mudanças regulatórias que estimulem a negociação desses títulos no mercado financeiro. Também serão adotadas medidas que aumentem a segurança jurídica desse tipo de operação.

Atualmente o BNDES é o maior provedor do crédito de longo prazo no País. Sozinho, ele responde por R$ 19 de cada R$ 100 que são investidos no Brasil. No ano passado, foram desembolsados R$ 137,4 bilhões - 50% a mais do que em 2008 todo. Apesar disso, o próprio banco reconhece que não pode oferecer muito mais do que já disponibiliza hoje. Daí a decisão do governo de definir medidas para ampliar o financiamento de longo prazo. Fonte: O Estadão Online

Governo estuda mudanças nas regras da poupança

O governo está concluindo estudos para anunciar em breve mudanças nas regras do cálculo do rendimento da caderneta de poupança.

Apesar de o anúncio da mexida estar sendo preparado para os próximos dias, a mudança, no entanto, só ocorrerá quando a Selic (a taxa básica de juros) atingir cerca de 8,5%. Hoje, a Selic está fixada em 10,75%.

O governo está preparando uma tabela para fixar o rendimento da caderneta de poupança dependendo da taxa que for fixada a Selic. Se a taxa básica de juro atingir 8,5%, a poupança passa a render, por exemplo, 5%. E por aí vai.

Hoje, da forma como está, a poupança é uma barreira para a queda da taxa básica de juros, a partir de um determinado ponto.

Com um rendimento fixado em 6,17% mais a TR, se a poupança não for mexida, se a taxa real de juros ficar abaixo desse patamar, haverá uma migração maciça de recursos da renda fixa para a caderneta.
Além disso, com a atual regra, torna-se difícil também baixar os juros do financiamento imobiliário.

A ideia do governo é fazer o anúncio o quanto antes, ainda no governo Lula, até para poupar Dilma Rousseff de eventuais críticas pela mudança na poupança. Há possibilidade de o anúncio ser feito ainda hoje.
Fonte: MidiaMax News


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Dilma chama mulher para cuidar dos juros

A presidente eleita, Dilma Rousseff, convidou a economista Zeina Latiff para a Diretoria de Estudos Especiais do órgão, um dos mais importantes cargos na formulação da política de juros do Brasil.

Se confirmada, ela será a primeira mulher no centro do debate sobre o rumo da política monetária do país. Não será, porém, a primeira mulher em uma diretoria.

Interlocutores da [presidente] eleita conversaram na semana passada com Zeina, atualmente no escritório brasileiro do RBS (Royal Bank of Scotland). A equipe de transição, porém, avalia se há tempo hábil para submeter seu nome ao Congresso neste ano.

A ideia é resolver a indicação na semana que vem, para não deixar o assunto em aberto até fevereiro, quando assume o novo Congresso.
Também está em discussão um titular para a Diretoria de Normas do BC, cargo que Alexandre Tombini deixará vago ao ocupar a presidência do banco em janeiro.

Segundo a Folha apurou, a economista foi uma escolha de Tombini que, a pedido de Dilma, partiu em busca de um profissional do mercado financeiro. Pesa a favor de Zeina o fato de ser mulher.
Tombini foi sabatinado e sua indicação deve ser votada pelo Senado semana que vem, data-limite para isso.


Fonte: Globo.com

Juros no empréstimo pessoal têm leve queda; veja taxas por bancos

As taxas médias de juros do empréstimo pessoal tiveram leve queda em dezembro, na comparação com novembro, segundo pesquisa divulgada pelo Procon-SP nesta segunda-feira. Já as do cheque especial permaneceram estáveis.

A taxa média do empréstimo pessoal ficou em 5,27% neste mês, abaixo a do mês anterior que foi de 5,35% ao mês.

Segundo o órgão, a única alteração nos juros do empréstimo pessoal foi feita pelo HSBC, que reduziu a taxa de empréstimo pessoal de 4,82% para 4,30% ao mês, decréscimo de 0,52 ponto percentual.
Já a taxa média do cheque especial manteve-se em 9,12% ao mês.

A pesquisa foi feita por técnicos do Procon-SP nos dias 2 e 3 deste mês nas seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú Unibanco, Real Santander e Safra.

Para a taxa do empréstimo pessoal, foi estipulado o período de 12 meses, já que todos os bancos pesquisados trabalham com esse prazo. Os dados coletados se referem a taxas máximas pré-fixadas para clientes não preferenciais. Para o cheque especial, foi considerado o período de 30 dias.

TAXAS DE JUROS AO MÊS EM DEZEMBRO
CHEQUE ESPECIAL
Banco do Brasil - 8,05%
Bradesco - 8,40%
Caixa Econômica Federal - 7,15%
HSBC - 9,55%
Itaú Unibanco - 8,75%
Real Santander - 9,66%
Safra - 12,30%
EMPRÉSTIMO PESSOAL
Banco do Brasil - 5,28%
Bradesco - 5,50%
Caixa Econômica Federal - 4,78%
HSBC - 4,30%
Itaú Unibanco - 6,02%
Real Santander - 5,63%
Safra - 5,40%

Fonte: Folha Online

Taxa média de juros do empréstimo pessoal fica em 5,27%

A taxa média de juros do empréstimo pessoal ficou em 5,27% ao mês em dezembro, uma queda de 0,08 ponto percentual em relação à de novembro (5,35% ao mês), segundo levantamento feito pelo Procon-SP.

No caso do cheque especial, a taxa manteve-se em 9,12% ao mês na média de todos os bancos pesquisados: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Safra e Santander.
Segundo o levantamento, em dezembro esses bancos praticamente não alteraram as taxas devido à estabilidade da Selic, que permanece em 10,75% desde julho. Para o Procon-SP, as medidas adotadas pelo Banco Central com o objetivo de frear a expansão do crédito não alteraram significativamente as projeções sobre o rumo da política monetária, pelo menos em curto prazo, mas já anunciam a retomada do ciclo de aperto monetário para o ano que vem.

“Com exigências maiores para emprestar, os bancos poderão repassar o aumento de custos para o consumidor, que terá de encarar taxas de juros mais altas e prazos menores de financiamento. O Natal é uma importante data comemorativa para o comércio e o clima de festa do mês de dezembro pode induzir os consumidores a comprar mais e a contratar empréstimos”, diz o Procon-SP em nota.

Entretanto os economistas da entidade lembram que, para qualquer tipo de contratação, as cobranças começarão a ser feitas no início do próximo ano, período em que há mais despesas com Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e com matrícula e material escolar, entre outras. Além disso, salientam que é preciso planejar o que fazer com o décimo terceiro salário, dando prioridade ao pagamento de dívidas.

 Fonte: Diário do Comércio e Indústria

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Brasil ocupa 10ª posição em estabilidade financeira

O Brasil é um dos países com maior estabilidade financeira, ficando em 10 ºlugar entre 57 países com as maiores praças financeiras do mundo, segundo relatório do Fórum Mundial de Economia.
No entanto, a entidade alerta que estabilidade financeira é apenas uma parte da avaliação global do desenvolvimento do sistema financeiro, pelo qual mede como o setor contribui para o crescimento econômico diversificando riscos e permitindo melhor alocação de capital.
No índice geral, o Brasil ganhou dois lugares, passando para 32ª posição entre os 57 países em termos de sistema financeiro e mercado de capitais.
A boa classificação em estabilidade financeira é sustentada por “moeda robusta” e sistema bancário sólido, contrastando com o que considera risco relativamente alto da divida soberana (42ª posição).
Para o fórum, os serviços financeiros não bancários também reforçam a posição do Brasil (12ª). Mais atividades de IPO posicionaram melhor o país. Mas aponta “ineficiência” no sistema bancário brasileiro (38ª posição).
Apesar da estabilidade financeira, o ambiente institucional no país não é considerado bom, ficando em 44ª posição na comparação internacional. Uma das razões é o alto grau de regulação governamental (57), falta de confiança nos políticos (52) e fraca proteção de direitos legais (50).
O Brasil fica atrás de países como Arábia Saudita, Cingapura, Suíça e Chile em termos de estabilidade financeira, mas a frente da França, Canadá, México, China.
Apesar de sua instabilidade financeira, os EUA e a Grã-Bretanha continuam em primeiro lugar no índice global de desenvolvimento financeiro graças a seu enorme mercado bancário.
O índice teve contribuição do Barclays, JP Morgan, Standart Chatered Bank, London School of Economics e Banco Mundial.
Fonte: Assis Moreira, Valor Economico

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Entenda a importância do Planejamento Tributário para as empresas

Por ocasião do final do ano, além de realizar simulações e estudos a fim de escolher o melhor regime de tributação para o ano de 2011, também é importante rever os procedimentos internos envolvidos no cumprimento das obrigações tributárias, evitando assim a aplicação de penalidades, e aborrecimentos com o fisco.

A Diretora de Conteúdo da FISCOSoft, Juliana Ono, comenta que "por meio do Planejamento Tributário, inúmeras decisões devem ser tomadas, de maneira que todos os passos a serem dados durante o ano seguinte devem ser esquematizados e combinados com a legislação. Isso se torna ainda mais essencial, se considerarmos o cenário brasileiro atual, onde o planejamento é imprescindível para obter sucesso, ou simplesmente para sobreviver". Assim, empresas eficientes costumam contar com ivestimentos nesse setor, pois a redução de custos resultante de um planejamento tributário bem elaborado costuma ser considerável, sem contar a redução de riscos relacionada a possíveis autuações fiscais. Através de estudos da realidade de cada empresa, aliado a um profundo conhecimento da legislação, é possível, em muitos casos, diminuir o valor devido de tributos, sem infringir a legislação tributária. Se considerarmos que cada obrigação acessória a ser preenchida e entregue ao fisco também tem um custo para a empresa, igualmente é possível trabalhar com a diminuição de gastos escolhendo o regime de tributação que tenha menos encargos para o contribuinte. A orientação para o correto preenchimento de cada Declaração, também é recomendável, pois evita aborrecimentos desnecessários que podem decorrer do envio de informações equivocadas. Isso tudo, em última instância, diminui o risco de autuações fiscais, e suas conseqüentes penalidades diretas e indiretas. SIMPLES Nacional (Supersimples) A LC nº 123/2006 instituiu o Simples Nacional, regime destinado a empresas com receita bruta anual de até R$ 2.400.000,00. Dependendo da atividade da empresa, esse regime é economicamente mais benéfico que os demais, mas especialmente os prestadores de serviços devem ficar atentos, pois dependendo do tipo de serviço que é prestado, pode ser que o lucro presumido seja mais vantajoso. Além dessa questão econômica, há que se considerar a dificuldade no que se refere à compreensão da legislação. Como a legislação é repleta de detalhes, torna-se complicado entender como funciona o regime. Também é preciso considerar os impedimentos – para muitas atividades há vedação quanto à opção pelo Simples Nacional. Há ainda o SIMEI (regime específico para Microempreendedor individual), que é bastante vantajoso, mas atende empresários que faturem até R$ 36.000,00 – sem contar as inúmeras outras restrições quanto a atividade e nº de empregados. Lucro Presumido O Lucro Presumido é regime de tributação onde a base de cálculo é obtida por meio de aplicação de percentual definido em lei, sobre a receita bruta. Como o próprio nome diz, trata-se de presunção de lucro. Em princípio, todas as pessoas jurídicas podem optar pelo Lucro Presumido, salvo aquelas obrigadas à apuração do Lucro Real.

Contudo, para verificar se esse é o regime mais benéfico para a empresa, é necessário realizar simulações, pois caso a empresa tenha valores consideráveis de despesas dedutíveis para o IRPJ, ou ainda, prejuízo, é muito provável que o lucro real seja mais econômico. Lucro Real Por fim o Lucro Real, regime que parte do resultado contábil. Depois de apurado o lucro contábil, devem ser procedidos os ajustes: adições e exclusões previstas em lei. E é nesse ponto que nossas atenções devem ser redobradas, pois nem tudo aquilo que resulta em diminuição do lucro da empresa, é aceito para diminuir a base de cálculo tributável.

Outra questão importante refere-se à Contribuição para o PIS/PASEP, e à COFINS. A escolha entre presumido e real deve levar em conta essas contribuições, pois no presumido o regime é cumulativo (alíquotas de 0,65% para o PIS, e 3% para a COFINS direto sobre a receita bruta), enquanto que no lucro real o regime é não-cumulativo, onde as alíquotas são bem mais altas (1,65% para PIS e 7,6% para a COFINS), mas há direito a deduções do valor a pagar por meio de créditos previstos na legislação. Por fim, é preciso salientar que não há um tipo de regime de tributação que seja mais benéfico para a totalidade das empresas. Cada pessoa jurídica deve considerar suas particularidades, meios de operação, e tipos de atividade que desenvolve, para conseguir vislumbrar a forma mais econômica de tributação para o ano de 2011, lembrando que uma vez formalizada a opção perante a Receita Federal, esta é irretratável durante todo o ano-calendário.


Fonte: Administradores

Planejamento tributário não é sonegação



O Brasil vive hoje um momento de intensa mudança em seu cenário tributário. Com as novas legislações que implementam os sistemas de controle digital, como a Nota Fiscal Eletrônica e o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), estima-se que em 5 anos o Brasil tenha o menor índice de sonegação empresarial da América Latina e, em 10 anos, este índice seja comparável ao de países desenvolvidos.
Este dado seria muito bom se o cenário tributário das empresas brasileiras não fosse tão preocupante. Um estudo realizado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT, apontou indícios de sonegação em 26,8% das empresas nacionais, sendo registrados em 65% das de pequeno porte, 49% das de médio porte e 27% das grandes empresas. No total, o valor sonegado representa ainda cerca de 9% do PIB. Para agravar ainda mais este cenário, o mesmo instituto também apontou que 29% das companhias listadas na Bovespa, tidas como as maiores empresas brasileiras, tem débito ativo com a União.


Estes números refletem que existe uma fragilidade fiscal generalizada nas empresas brasileiras, muitas vezes ocasionada não por má fé, mas por falhas na gestão tributária corporativa. Mas estas falhas podem ocorrer por diversos motivos, dentre os quais, por mais irônico que pareça, o mais recorrente é a falta de conhecimento sobre o grande volume de normas tributárias vigentes, que em 2008 contabilizavam 3.207 regras. Além da complexidade, essa legislação ainda sofre, em média, duas alterações por hora, além de não se aplicar a todos da mesma forma; as regras variam de acordo com suas esferas de abrangência, que incluem a área federal, que contempla tributos como o Imposto de Renda e o IPI, a área estadual, que inclui o ICMS e o IPVA, e a área municipal, que traz consigo a cobrança do ISS, por exemplo. Para conseguir acompanhar todas estas normas, as empresas brasileiras investem cerca de R$ 38 bilhões por ano somente em pessoal, sistemas e equipamentos, de modo que cada vez mais os softwares fiscais se tornam peças-chave para o bom funcionamento do setor tributário de empresas de todos os setores e portes. Além de evitar multas, juros e pagamentos indevidos, a inserção de uma empresa na dívida ativa da União, seja por cair na malha fina ou por atrasar impostos calculados indevidamente, pode gerar prejuízos enormes ao mercado e aos investidores, uma vez que esta acaba impedida de participar de licitações, obter financiamentos, alienar imóveis, concretizar operações de fusões, cisões e incorporações, ou até mesmo distribuir lucros e dividendos. Com a implementação de uma solução fiscal, que pode ser facilmente acoplada ao ERP ou outros softwares gerenciais, as empresas conseguem simplificar os sistemas de gerenciamento e cálculos de impostos, além de não precisarem mais acompanhar as constantes mudanças de legislação, que fica por conta do próprio desenvolvedor do software.


Com esta economia de tempo e de serviço, as empresas conseguem se voltar para outra questão importante quando se quer obter economia com impostos: o planejamento tributário, que nada mais é do que conhecer encontrar formas de em seu benefício. Cada vez mais o planejamento tributário vem sendo adotado de forma estratégica pelas empresas que querem se manter de acordo com as regras do fisco e, de quebra, encontrar maneiras de enxugar suas despesas com impostos. Isto se dá porque a própria legislação garante diversos benefícios fiscais que muitas vezes são desconhecidos pelos empresários, como programas de apoio ou regiões específicas que possuem carga tributária reduzida para determinados segmentos, como a conhecida Zona Franca de Manaus.


Além disso, também existem diversos modelos de taxações e perfis de pagamento, que podem variar de acordo com o faturamento e o ramo de atividade. A partir disso, o ideal é que cada empresa realize um estudo a fim de avaliar as possibilidades e estruturar uma forma de atuação que contemple o modelo fiscal que melhor se adéque ao seu negócio. Recomenda-se realizar, antes da abertura da firma, uma análise prévia dos benefícios fiscais de cada Unidade Federada, pois conforme a atividade, a empresa poderá usufruir de descontos no pagamento de tributos, bem como de parcelamentos no pagamento do ICMS, entre outros impostos, que se aplicam de maneiras diferentes a cada ramo de atuação e a cada estado ou município brasileiro. Este tipo de análise e planejamento, que vai desde a inscrição da empresa e seus serviços junto à Secretaria da Fazenda, até o momento do pagamento dos impostos, pode gerar uma grande economia, possibilitando um fôlego a mais para certos ramos de atividade cuja carga tributária é muito grande e que, em alguns casos, pode chegar a até 40% do faturamento do negócio. Isto porque, ficar em dia com os impostos e aprender a utilizar a legislação em seu favor pode gerar mais benefícios do que se imagina, não só no bolso como na consciência.



Fonte: 45 graus