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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Investidor tem novas opções para fazer aplicação sem sair de casa, pela internet



Montar uma carteira de investimentos diversificada sem sair de casa. Ações, títulos do Tesouro Direto, fundos DI e de renda fixa, além do Certificado de Depósito Bancário (CDB), são algumas das opções disponíveis aos pequenos investidores pela internet. Em uma ou outra alternativa é possível até conseguir melhores remunerações pela internet do que na negociação pessoal (como é o caso do CDB do banco online Sofisa Direto), que paga, no mínimo, 100% do CDI (taxa referencial de juros do mercado), independentemente do valor investimento.

Especialistas em finanças pessoais, no entanto, alertam que é preciso cuidado redobrado na hora de aderir a um investimento pela internet. "Não é para os totalmente leigos", comenta Fábio Colombo, administrador de investimentos. O CDB online é a grande novidade das modalidades de investimento disponíveis pela internet. Há pouco mais de dez dias, o tradicional banco Sofisa inaugurou um banco totalmente online, o Sofisa Direto. "Tudo é feito pela internet. Não há necessidade de nenhum contato por telefone", explica Bazili Swioklo, responsável pelo desenvolvimento da novidade.

Para concorrer com as milhares de opções de CDB disponíveis nas prateleiras dos bancos, o Sofisa Direto promete a melhor remuneração para qualquer valor. "De R$ 1 a R$ 1 milhão pagamos o mesmo porcentual do CDI", emenda Swioklo. São oito as opções de CDB online no Sofisa Direto. O que tem liquidez diária paga 100% do CDI. O que tem prazo para saque de três anos, remunera em 110% do CDI.

No caso das ações, a maior parte dos investidores já está habituado ao uso da plataforma online home broker. Não há custo extra para uso do software e há a comodidade de comprar e vender os papéis sem ter que falar com a corretora. "O que não pode é ficar apostando, operando quase sem parar", alerta a psicanalista especializada em finanças comportamentais Vera Rita de Mello Ferreira.

Ela comenta ainda que, pelo aspecto de "jogo" que há no home broker, aqueles que têm tendência correm o risco de viciar-se no programa. Vera Rita tem, inclusive, dois livros publicados sobre o assunto: "Decisões econômicas, você já parou para pensar?" e "Psicologia econômica, estudo do comportamento econômico e da tomada de decisão".

Os títulos do Tesouro Direto têm se popularizado e são boas modalidades de investimento para quem vislumbra o longo prazo. De acordo com o próprio Tesouro, no mês de maio houve recorde no volume de negociações: R$ 360,91 milhões, montante 112,7% maior que o obtido em janeiro de 2001 - que até então era o mais alto da história.

"Há home brokers de corretoras que, além de vender ações, vendem títulos do Tesouro", indica Eduardo Rissi, professor de economia e de finanças do Insper (ex-Ibmec São Paulo). Os fundos DI e de renda fixa, que podem ser adquiridos pelo bankline dos grandes bancos, não são muito bem recebido pelos especialistas em finanças pessoais.

"Às vezes as taxas de administração são altíssimas", diz o professor do Insper. Por isso, ele sugere que, no caso dos fundos, o investidor procure o banco pessoalmente para que o gerente explique com detalhes o produto e especifique qual será a rentabilidade e quais os custos da modalidade. 


Fonte: O Estadão Online 

Governo empurra despesas para 2012



O governo vem empurrando com a barriga uma série de despesas cuja fatura será cobrada em 2012, tornando o quadro econômico do ano que vem bastante complicado. Um grande reajuste do salário mínimo, quitação de subsídios dados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), investimentos, inclusive os da Copa e das Olimpíadas, e as pressões da base política em ano eleitoral são apenas alguns exemplos dos problemas que terão de ser enfrentados. 

Nessa conta ainda tem de ser acrescentada a soma da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que mandou o governo pagar de uma vez só a dívida referente a decisão judicial (precatório) que havia sido parcelada em dez anos. A Advocacia-Geral da União (AGU) está tentando reverter a decisão, mas caso isso não seja possível serão aproximadamente mais R$ 9,5 bilhões, quase o dobro do que o governo investirá nos aeroportos nas cidades sedes da Copa. A gastança que se prenuncia no ano que vem não traz, porém, risco de o País ter de dar um calote em sua dívida pública.

O estoque do endividamento pode continuar caindo mesmo que o governo passe a economizar menos do que faz hoje. Não por acaso, a agência de classificação de risco Moody’s elevou a nota dos papéis brasileiros na terça-feira passada, elogiando a condução da política fiscal. Meta fiscal. Segundo o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o superávit primário, que é a economia de recursos públicos para pagamento da dívida, pode cair para até 2% do Produto Interno Bruto (PIB) que o estoque do endividamento não crescerá. 

Atualmente, o governo mira um primário de 2,9% do PIB e a meta para 2012 é de 3,1% do PIB. Diante das pressões programadas para o ano que vem, porém, os economistas acreditam que o governo não cumprirá a meta fiscal integralmente, como promete fazer este ano. Ele deverá usar da prerrogativa de descontar do cálculo os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como fez em 2010. 

O problema não é a dívida, é a inflação que tende a crescer e por isso será necessário elevar os juros para combater esse efeito. Segundo cálculos do economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero, o setor público responde por cerca de um terço de toda a economia. E a previsão é que as três esferas da administração pública gastarão mais no ano que vem.

A renda das famílias, diz ele, responde por mais ou menos 40% da economia. E ela vai crescer em 2012 não só por causa do reajuste do salário mínimo, como também pelo efeito da queda da inflação. Há uma certa sobreposição entre as duas coisas, mas grosso modo fala-se de mais de metade da economia expandindo despesas. "Isso vai fazer com que o Banco Central segure os juros e as medidas macroprudenciais por muito tempo", afirmou Montero. "O Banco Central sabe que há esses fatores expansionistas já contratados."

Sem qualidade. Quem olha as contas de 2011, porém, acredita estar diante do mais austero dos governos. De janeiro a abril, o governo já cumpriu metade da meta de superávit primário prevista para todo o ano. É, porém, um resultado de má qualidade, baseado em aumento de arrecadação, contenção de investimentos e adiamento de gastos. Medidas para melhorar a qualidade da despesa pública, como combate a fraudes no seguro-desemprego e um controle mais rigoroso na folha salarial, por enquanto não saíram do papel.

"O governo mostrará um resultado fiscal robusto em 2011, mas boa parte dele não será corte, e sim postergação", disse o economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria. Ele se refere aos gastos com benefícios previdenciários e de assistência social atrelados ao salário mínimo. Este ano, o salário mínimo teve correção só pela inflação, sem nenhum ganho real.

Mas, no ano que vem, o aumento acima da inflação será de 7,5%. No total, o piso deverá ter uma correção estimada em 14,8%, passando dos atuais R$ 545 para R$ 625, um gasto extra de R$ 23 bilhões para os cofres federais, segundo as estimativas. BNDES. Outra despesa que aparentemente está sendo empurrada para 2012 é o pagamento de subsídios do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES.

Por esse programa, o banco ofereceu linhas de crédito com juros baratos às empresas, para combater os efeitos da crise de 2008 e 2009. A diferença entre o juro cobrado pelo banco e o custo do dinheiro é bancada pelo Tesouro Nacional mas, conforme revelou o Estado em sua edição de domingo, até agora o BNDES não recebeu nenhum centavo federal. O alerta foi feito por Mansueto Almeida, para quem a transferência dos recursos referentes ao subsídio do PSI pode ser adiada para 2012. 

Tesouro e BNDES não confirmam nem desmentem a informação e não dão mais detalhes. O valor exato da conta de subsídios não foi divulgado. 

Sabe-se, porém que uma estimativa feita em 2010 apontava para R$ 17 bilhões, numa época em que o programa podia emprestar até R$ 124 bilhões. Agora, ele foi expandido para R$ 228 bilhões. 


Fonte: O Estadão Online 

Banco deve indenizar cliente que teve 400 cheques clonados



Os bancos são responsáveis por indenizar todos os que tiverem suas contas clonadas ou modificadas. As tarifas pagas pelos correntistas garantem a prevenção de casos do tipo. O entendimento é da 4ª Vara Cível de Brasília, ao decidir que o Banco do Brasil deve pagar R$ 20 mil por danos morais a uma cliente que teve mais de 400 cheques clonados.

A clonagem acontece desde 2004. À época, a mulher, cujo nome não foi revelado, procurou o banco para reclamar de uma conta clonada, pois havia recebido a cobrança de um cheque nunca passado. O gerente sugeriu abrir uma nova conta e cancelar a antiga, prometendo que o problema seria resolvido. Seria instalado também um processo de investigação interna para apurar o caso.

Dois dias depois, no entanto, a correntista recebeu a cobrança de um cheque da conta supostamente extinta. Dias depois, mais um cheque. No Banco do Brasil, a cliente ouviu que nada poderia ser feito e, depois de receber mais uma cobrança da conta antiga, fez um boletim de ocorrência na Polícia. O banco, então, apresentou um relatório em que estavam registrados 424 cheques clonados.

A defesa da mulher alegou que houve danos morais. Isso porque ela passou a ser tratada como devedora, inclusive com a possibilidade de inclusão em órgãos de proteção ao crédito. O juiz da Vara de Brasília deferiu, então, um pedido de recurso preliminar para prevenir os órgãos de arrolar o nome da correntista. O banco, apesar de reconhecer a clonagem dos cheques e a modificação, por terceiros, da conta de sua cliente, contestou o dano moral. Alegou que o nome da correntista não foi incluído em serviços de proteção ao crédito.

O juiz do caso, porém, deu razão à mulher. Isso porque não havia necessidade de se comprovar a inclusão do nome dela em serviços do tipo. Ele classificou o serviço do banco de negligente.

– Foi a má prestação do serviço que originou todos os transtornos, ocasionando dano direto à autora [da ação]. 

Fonte: Record 

Operadoras criam pacotes turísticos só para compras



Cartazes avisando que os vendedores falam português são cada vez mais comuns nos centros de compras dos Estados Unidos. O tráfego de brasileiros nos outlets e magazines no exterior cresceu tanto que o turista local é tratado como realeza no comércio. Percebendo essa tendência, as agências de turismo se preparam para atender especificamente às demandas da clientela: criaram pacotes em que passeios e atrações são praticamente ignorados em favor das liquidações e descontos. 

De olho no aumento do poder de compra do consumidor brasileiro, a CVC já oferece dois destinos exclusivos para compras: Miami e Buenos Aires. Em Nova York, a empresa montou um pacote em que a visita ao outlet Woodbury, a uma hora e meia de ônibus de Manhattan, divide a lista de passeios com o Empire State Building e a Estátua da Liberdade. Agências ao redor do País oferecem o pacote para a Black Friday, durante o feriado de Ação de Graças, em novembro - tradicional período de descontos do varejo americano.

Todas as semanas, a CVC leva 15 passageiros por semana para Miami no pacote dedicado às compras, vendido a US$ 1.588. Segundo Valter Patriani, presidente da operadora de turismo, boa parte da demanda pelos descontos está disfarçada nas viagens de lazer. "Se fosse contabilizar mais corretamente, diria que pelo menos 200 pessoas viajam semanalmente tendo as compras como objetivo principal", afirma o executivo. A empresa levou 500 mil turistas brasileiros ao exterior em 2010, e prevê uma alta de 10% para este ano.

Com o real valorizado, aumentou a percepção da diferença entre os preços praticados no Brasil e no exterior. Além do fator cambial, outro elemento econômico ajuda a evidenciar a vantagem da compra de determinados produtos fora do País: a carga tributária. Os perfumes importados pagam tributos de 78% no mercado nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Outros itens prioritários na lista dos viajantes, como bebidas alcoólicas e relógios, têm carga tributária da ordem de 60%.

Para o economista Mauro Rodrigues, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coautor do livro Sob a Lupa do Economista, é muito difícil prever quando a situação do câmbio vai mudar no País. Enquanto o Brasil continuar a atrair investidores, diz ele, é improvável que o real se desvalorize. Segundo o Banco Central (BC), a entrada líquida de dólares no Brasil somou US$ 42,6 bilhões até o início de junho de 2011, seis vezes o montante verificado em igual período do ano passado. "O Brasil se revelou sólido na crise. E o mercado aponta isso", diz Rodrigues.

Mimos

Um dos pacotes tradicionais no País é o que inclui as ofertas da Black Friday, em Nova York. Vendido por agências ao redor do País por pouco menos de US$ 3 mil, o roteiro inclui outlets da região, a tradicional 5ª Avenida, o bairro boêmio Soho e a loja de departamentos Macy’s. Segundo as agências que oferecem o pacote, é uma chance de o consumidor brasileiro comprar grifes famosas com desconto de mais de 70%. 

A agência Top Travelling, de Lajeado (RS), é uma das que ofertam a viagem. De acordo com a sócia da empresa, Samanta Pinto, a procura pelo pacote de compras em Nova York está mais forte em 2011. "No ano passado, atingi o recorde, com 48 passageiros. Para este ano, reservei 58 lugares e tenho 39 vendidos, com cinco meses de antecedência. Vamos superar o número de 2010 com certeza", diz a empresária.

Samanta explica que os dias de compras são organizados para que os passageiros aproveitem o maior número de ofertas. Na visita à Macy’s, a programação começa por volta das 5h - a ideia é que os turistas percorram os 12 andares da loja em busca de pechinchas. Nos outlets, cada pessoa ganha um walkie talkie: toda vez que estiver com as mãos cheias de sacolas, aciona o guia, que recolhe as compras para o ônibus. "Às vezes, as pessoas se perdem em meio às compras. No ano passado, não conseguíamos achar dono para uma das sacolas."

A corretora de seguros Cândida Marchese já aproveitou as ofertas da Black Friday duas vezes - gasta, em média, R$ 10 mil por viagem. "Não vou com lista na mão, mas faço compras comparativas. Entre os itens que eu mais compro estão os casacos de inverno e maquiagem", afirma. Como a viagem acontece em novembro, Cândida diz que pode ser uma boa forma de antecipar as compras de Natal com economia. "Ainda estou decidindo se vou pelo terceiro ano."

Cuidados

No entanto, para que as ofertas não virem prejuízo, é preciso tomar alguns cuidados. O primeiro deles é prestar atenção às cotas da Receita Federal. A fiscalização tem direito de checar as bagagens e de cobrar o imposto devido sobre determinados itens. "Mesmo nos pacotes exclusivos para compras, orientamos os guias a prevenir os passageiros contra exageros", afirma Valter Patriani, da CVC. "É sempre bom lembrar as pessoas da Alfândega."

Na opinião do executivo, o viajante de compras experiente já percebeu o que vale a pena adquirir fora do País. "No caso dos eletrônicos, a vantagem não é mais tão grande. Ninguém vai ver pessoas trazendo TV de plasma dos Estados Unidos. Vale mais pagar um pouco mais aqui e parcelar, ter a garantia", diz Patriani. A diferença dos preços das roupas, no entanto, é óbvia. "É possível comprar roupas de marcas famosas lá fora pelo preço de peças comuns no Brasil."

Fonte: O Estadão Online

Aviso prévio maior é certo, mas decisão é do Congresso, diz TST



O Supremo Tribunal Federal está "absolutamente" correto em tornar o aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, mas seus ministros não devem "usurpar" o papel do Congresso em legislar. Essa é a opinião de João Oreste Dalazen, presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), corte que decide sobre reclamações em relação a questões trabalhistas.

"É uma providência inarredável do STF, em face da omissão do Congresso. Se existe lei em nosso país, é preciso dar cumprimento." Na última quarta-feira, oito ministros do STF decidiram que o tribunal irá regulamentar, temporariamente, o artigo 7º da Constituição. Ele prevê o "aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo mínimo de 30 dias". 

Segundo Dalazen, o que se discute agora é "o alcance dessa decisão" do STF. "Vai beneficiar tão somente os impetrantes [da ação] ou o Supremo vai editar uma norma aplicável a todos os demais casos? A meu juízo, [...] vai dizer qual é o aviso prévio proporcional no caso concreto. Há um princípio de separação de Poderes e, no meu entender, o Supremo não pode editar uma norma com conteúdo de generalidade, de coerção, como se fosse legislador."
 
ALCANCE SOCIAL

Para Dalazen, a decisão "traz algum custo para as empresas", mas seu "alcance social" a justifica. "É uma questão de razoabilidade. Com um empregado que tenha 30 anos de casa, é razoável que ele tenha cinco ou seis meses de aviso prévio. Não se pode tratar da mesma forma empregados com tempos de serviços distintos."
Ele lembrou que, "a não ser que seja indenizado pelo aviso prévio", o empregado continua trabalhando durante o período, de modo que "a empresa não sofre". 

Já associações patronais, como a CNI, criticaram a decisão do STF. "Estamos preocupados pois [a proporcionalidade] pode gerar expressivo impacto econômico para quem gera empregos formais e sinaliza para a insegurança no ambiente de negócios", afirmou Robson Braga de Andrade, presidente da CNI. 

Fonte: Folha Online 

Investimento em telefonia não segue expansão de clientes e panes crescem



O investimento das operadoras de telecomunicações não tem acompanhado o crescimento de sua base de clientes, o que tem levado a panes cada vez mais frequentes nos serviços de telefonia e internet. Essa situação já incomoda o governo. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, cobrou medidas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Um exemplo do descompasso entre investimento e crescimento está no setor de telefonia móvel. A base de clientes avançou 16,6% no ano passado, chegando a 202,9 milhões de linhas, segundo a consultoria Teleco. Mas o investimento das empresas diminuiu 2,4%, ficando em R$ 8,2 bilhões. Esse montante foi 16,3% inferior ao pico de R$ 9,8 bilhões destinados ao setor em 2004.

O que acontece com o celular é somente um exemplo, pois a combinação de investimento baixo e crescimento alto se repete em outras áreas das telecomunicações. Os consumidores estão cada vez mais insatisfeitos com a qualidade dos serviços. Em pouco mais de um mês, a Intelig, que pertence à TIM, teve três panes. O Speedy, da Telefônica, voltou a deixar seus usuários na mão no dia 13 deste mês, dois anos depois de a empresa ter sido punida pela Anatel, sendo impedida até de vender os serviços. E a Nextel ficou entre as palavras mais tuitadas por brasileiros no dia 10, por causa de problemas no Rio de Janeiro.

"Falta acompanhamento, supervisão e investimento", disse Ruy Bottesi, presidente da Associação dos Engenheiros de Telecomunicações (AET). "A infraestrutura não está preparada para suportar o crescimento. O investimento é reativo. As operadoras investem depois do aumento de tráfego, mas leva de 60 a 90 dias para importar equipamentos."

No ano passado, os investimentos totais das operadoras no País (incluindo telefonia fixa, móvel e outros serviços) chegaram a R$ 17,4 bilhões, alta de 3,6% sobre 2009. Mesmo com o crescimento modesto, o valor está 28,1% abaixo dos R$ 24,2 bilhões investidos em 2001. A receita bruta do setor subiu mais que o investimento, avançando 4,2%, para R$ 184,9 bilhões.

"A essência do problema não está nas operadoras, mas na agência reguladora e no governo", disse Bottesi. "O serviço é público. O que a Anatel está fazendo para que tenhamos qualidade no serviço de telecomunicações hoje, em 2011?", indagou.

Explicações

Para as operadoras, as críticas de que o investimento é baixo não procedem. Elas argumentam que os problemas verificados nos últimos meses são pontuais e o investimento realizado é suficiente para sustentar a expansão da base. O fato de ele não acompanhar o ritmo do aumento do mercado teria três explicações: os equipamentos têm ficado mais baratos, graças à evolução tecnológica e à queda da demanda nos países ricos; o câmbio está favorável, fazendo com que os reais possam comprar mais equipamentos importados do que antes; e o desembolso maior é feito na instalação da rede, não na expansão desta mesma rede.

Fonte: O Estadão Online 

Juros corroem o orçamento dos endividados



Não é preciso ser nenhum especialista em economia para perceber o quanto as taxas de juros cobradas dos consumidores brasileiros são elevadas e que o excesso de dívidas pode levar à destruição financeira. Enquanto, no país, os encargos dos cartões de crédito são, em média, de 237,69% ao ano (10,69% ao mês), nos Estados Unidos e na Inglaterra estão, respectivamente, em 14,84% (1,16% mensais) e 16,80% (1,30% ao mês) anuais.
Supondo que, ao longo de um ano, o consumidor pague apenas 10% da dívida por mês — mínimo permitido pelo Banco Central para quem já tem cartão de crédito; nos novos, o piso é de 15% —, ao fim do prazo a pessoa continuará devendo praticamente o valor inicial da fatura. Ou seja, um débito de R$ 1 mil, depois de 12 meses de consecutivas amortizações, continuará em R$ 953,03. Na Inglaterra, seguindo a mesma regra, o saldo final do cartão será de R$ 361,71 e, nos EUA, de R$ 356,25. Caso os mesmos R$ 1 mil deixem de ser pagos no cheque especial, em um ano, a fatura mais que dobrará, atingindo R$ 2.426.

Diante desse quadro, Geraldo Tardin, presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), não tem dúvidas: os juros abusivos praticados no Brasil, somados à falta de planejamento financeiro, são os maiores vilões do superendividamento das famílias. Para ele, os consumidores que só pagam o valor mínimo do cartão de crédito são os mais prejudicados. Não à toa, o BC elevou para 15% o valor mínimo para pagamento desde 1° de julho, piso que subirá para 20% em dezembro. “Já recebi mais de mil clientes com problemas. Se parássemos para analisar como os juros corroem o orçamento deles, todos estariam em situação falimentar”, afirma.

Na Justiça

Para os especialistas, é preciso deixar claro que pegar um empréstimo ou comprar um bem financiado, como um carro, não tem nada de anormal. O crédito, ao contrário, é vital para estimular o crescimento econômico, desde que sem exageros. “Portanto, basta ter bom senso. Comprar com cartão de crédito, por exemplo, só se for para pagamento integral da fatura no vencimento”, ensina Ione Amorim, economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). “Em qualquer outra situação, o consumidor estará fazendo um péssimo negócio. Isso porque os juros do cartão são um caminho certo para a inadimplência”, avisa.
As dicas para sair do atoleiro são muitas. No caso de quem se enrolou com as prestações de um financiamento ou contraiu empréstimos impagáveis, renegociar os débitos pode ser uma opção para tirar o nome dos cadastros de maus pagadores. Em casos extremos, a Justiça pode ajustar a dívida ao orçamento do devedor. O advogado especialista em direito do consumidor Milton Cleber Lopes conta que o número de pessoas que acionam os tribunais para renegociar os débitos vem aumentando.

“Infelizmente, o consumo desenfreado está sendo incentivado. Qualquer pessoa consegue um cartão de crédito ou um cheque especial com limites bem superiores ao salário. Só não se dão conta dos juros altíssimos”, diz. “Quando recorre a um crediário, o consumidor analisa apenas se a prestação cabe no seu orçamento, não vê o quanto a mais terá de pagar em taxas”, acrescenta. A consequência disso são contas enroladas.

O advogado ensina como contestar os juros altos na Justiça. “Se a pessoa achar que são abusivos, pode entrar com uma ação. São muitos os casos vitoriosos”, garante. Mas é importante, também, reclamar nos órgãos de defesa do consumidor. “Os Procons não podem punir, mas oferecem cálculos para serem usados nas perícias judiciais, o que ajuda nas decisões”, alerta. Quanto às negociações, ele aponta que 99% dos casos têm êxito. “Após cinco anos de dívida, o credor é obrigado a retirar o nome do devedor dos serviços de proteção ao crédito (SPCs). Por isso, prefere receber uma quantia menor do que perder tudo.”

Corda no pescoço

O vendedor Gilmar Alves Pereira, 30 anos, deve mais de R$ 5 mil, fruto do financiamento de uma moto, que não consegue renegociar. Seu nome está sujo há seis meses. “Eu ligo para o vendedor toda semana e, na loja, me pedem para eu ligar depois, pois vão analisar o caso”, conta. Ele reconhece que avançou o sinal ao não se dar conta de que, com as taxas de juros cobradas nas prestações, não teria como pagá-las.

Não é a primeira vez que Pereira fica com a corda no pescoço. “Sempre gasto demais e acabo tendo de renegociar. Mas são valores pequenos, de até R$ 200. Desta vez, exagerei”, assume. Apesar do aperto, faz novos planos. “Quero trocar de carro”, afirma.

Com dezenas de bolsas em sua casa, a estudante Rachel Scott, 19, não resiste à tentação de consumir. “É a minha paixão”, admite. Alguns exemplares ela usou apenas uma vez. “O prazer está mesmo em ter e guardar”, relata. A jovem, entretanto, não se considera uma consumidora compulsiva. “Não me acho consumista, mas gosto muito de comprar. Quem é não assume”, diz. Seu cartão de crédito teve de ser bloqueado para que ela não passasse dos limites. “Cancelei, porque sabia que ficaria endividada.” 

 Fonte: Correio Brasiliense 

Juro já responde por mais da metade da dívida



Cresceu neste ano a parcela dos juros no total da dívida dos brasileiros. Em abril de 2010, a fatia dos juros correspondia a 56% de uma dívida total de R$ 524 bilhões. Em abril deste ano, o último dado disponível no Banco Central (BC), os juros equivaliam a 60% de uma dívida de R$ 653 bilhões, aponta estudo da LCA Consultores. "Com as medidas macroprudenciais do BC no fim de 2010 e a alta dos juros básicos iniciada em janeiro, a dívida total aumentou puxada neste ano pelos encargos financeiros", diz Wermeson França, economista da LCA, responsável pelo estudo.

Na sua avaliação, o avanço da parcela dos juros em detrimento do valor principal emprestado mostra uma piora na qualidade da dívida. Isto é, o brasileiro está se endividando mais, não necessariamente porque está indo às compras, mas por causa dos encargos financeiros cobrados nos empréstimos. Cheque especial. Outra informação, segundo o economista da LCA, que confirma que o aumento do endividamento do consumidor está sendo impulsionado pelos juros, aparece nas estatísticas do BC. As duas únicas linhas de crédito que registraram crescimento na média diária de concessões entre dezembro de 2010 e abril deste ano foram o cheque especial e o cartão de crédito, as linhas de financiamento que têm os juros mais elevados e que normalmente são usadas de forma emergencial, isto é, para pagar outras dívidas.

Entre dezembro de 2010 e abril deste ano, a média diária real de concessões no cheque especial aumentou 6,2% e, no cartão de crédito, o acréscimo foi de 17%. Já no caso do crédito pessoal, houve um recuo de 3,7% nas concessões nesse período, e nos veículos e aquisição de outros bens, a retração foi ainda maior, de 10,6% e de 11%, respectivamente.

Altamiro Carvalho, economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), relata que os consumidores estão fazendo novos financiamentos para quitar dívidas antigas. Tanto é que, no ano até abril, os dados de vendas da Fecomércio-SP mostram que o faturamento cresceu apenas 0,73%, sustentado pelos supermercados - cujas vendas praticamente não são influenciadas pelo crédito e que aumentaram 3,02% no período. Nos demais segmentos, como eletrônicos, móveis e veículos, que são movidos a financiamentos, houve queda.

Risco. O aumento do endividamento, com maior peso dos juros, pode levar a uma piora da inadimplência neste ano. "Não vai ser nada explosivo, mas a inadimplência vai mudar de patamar", alerta França, da LCA. Em 2010, a inadimplência do consumidor encerrou o ano em 5,7% e em abril, último dado do BC, tinha subido para 6,1%. Até dezembro, deve atingir 7,2%, prevê o economista. Ele pondera que o resultado deste ano deve ficar abaixo do de 2009, o ano do rescaldo da crise financeira, quando o calote chegou a 7,7%.

França observa, por exemplo, que apesar de o dado global do BC de abril mostrar que a inadimplência do consumidor com prestações vencidas acima de 90 dias continuar bem comportada, os índices de calote entre 15 e 90 dias de veículos e crédito pessoal superam as taxas acima de 90 dias. "Esse é um sinal de que a inadimplência está piorando."

Já o presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, Miguel Ribeiro de Oliveira, não acredita que o aumento do endividamento, puxado pelos juros, leve necessariamente à alta da inadimplência. "Teria de ocorrer uma forte elevação do desemprego para a inadimplência disparar." Ele acredita que o aumento do endividamento pode até jogar a favor do objetivo do BC de reduzir o consumo. 


Fonte: O Estadão Online

Reajuste anual de servidores aumenta risco de indexação da economia



A reposição da inflação todos os anos para os servidores públicos não é apenas preocupante para o equilíbrio das contas públicas, como também pode resultar em aumentos maiores de preços no futuro, avaliam economistas. Segundo especialistas, a correção dos salários agrava o desequilíbrio fiscal e aumenta o risco de indexação da economia ao estabelecer reajustes automáticos para o funcionalismo, nos moldes dos gatilhos salariais populares nos planos econômicos dos anos 80.

A questão veio à tona há duas semanas. No último dia 9, o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento de um recurso extraordinário de um grupo de servidores públicos civis do estado de São Paulo que questiona a falta de correção dos salários. Relator do caso, o ministro Marco Aurélio Mello votou a favor dos reajustes anuais, mas a ministra Cármen Lúcia Antunes pediu vistas. A sessão foi suspensa e a ministra prometeu apresentar o voto nas próximas semanas.

Desde o Plano Real, os salários do funcionalismo público têm sido usados como instrumento de controle da inflação. Segundo economistas ortodoxos, os reajustes menores do que a inflação melhoram o equilíbrio das contas públicas porque fazem o gasto do governo crescer menos que o nível de preços. No governo federal, não existe uma reposição linear da inflação. Os salários são reajustados com base nas negociações individuais com cada categoria de servidores.

Para o economista-chefe da consultoria Austin, Alex Agostini, caso o Supremo determine a reposição anual, o governo precisará cortar gastos em outras áreas para impedir o surgimento de um ciclo vicioso que resultará em inflação mais alta. Ele acredita que, caso a inflação aumente, as camadas mais pobres da população serão as mais prejudicadas.

“Sem dúvida uma eventual decisão do Supremo nesse sentido contribuirá para que a situação saia do controle. A postura do Banco Central [de aumentar os juros gradualmente] e a ação leniente do governo no corte de gastos pressionam a inflação. Os instrumentos usados pela equipe econômica são certos, mas a dose está errada”, diz Agostini.

O economista acrescenta que a onda de reajustes salariais está ocorrendo não apenas no setor público, mas também para os trabalhadores das empresas privadas, que têm aproveitado o bom momento da economia para conquistar aumentos superiores à inflação. Ele, no entanto, observa que os reajustes do setor privado são fruto de negociações, não definidos com antecedência, como ocorreria com a reposição anual aos servidores públicos: “É o conhecimento antecipado dos reajustes que estimula o repasse para os preços e a indexação da economia.”

Na avaliação do economista Roberto Padovani, do Banco West LB, o principal impacto dos reajustes anuais ocorreria nas contas públicas. Isso porque o governo perderia margem de manobra para cortar o Orçamento e conter a atividade econômica como costuma fazer todos os anos. Para diminuir o risco de indexação, ele recomenda políticas que reduzam a inflação. “Se a inflação cai, a indexação tende a ser reduzida. Pelo menos o momento atual é de desaceleração dos preços, o que ajudaria o governo se a correção [dos salários dos servidores] passasse a ser automática”, destaca Padovani. 


Fonte: Agência Brasil 

BIS: Autoridades precisam agir antes de novo 'desastre'



As autoridades fiscais precisam agir rápida e decisivamente antes que outro "desastre" aconteça. A avaliação é do Banco para Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) e se refere à situação insustentável do déficit orçamentário em diversos países. "A turbulência em relação às crises fiscais na Grécia, Irlanda e Portugal se apagaria perto da devastação que poderia vir com a perda de confiança do investidor na dívida soberana de uma economia maior."

Para a entidade, os déficits fiscais foram apropriados para combater a crise financeira global, pois as políticas expansionistas ajudaram a impedir consequências mais graves. Entretanto, no período de recuperação, a manutenção de déficits elevados está se tornando "mais e mais perigosa". "O sentimento do mercado pode mudar rapidamente, forçando governos a tomarem medidas ainda mais drásticas do que seria necessário no início", diz o 81º Relatório Anual do BIS. "A consolidação fiscal não vai acontecer da noite para o dia, mas tem de começar agora."

Para serem críveis, recomenda o BIS, as medidas precisam resolver as fraquezas fundamentais da estrutura fiscal. Alguns países enfrentam as obrigações do envelhecimento populacional e o desequilíbrio na fonte de receitas. Muitas das mudanças necessárias levarão tempo para gerar déficits menores, daí a necessidade de ação imediata.

Atualmente, a Grécia é o país mais afetado pela crise de dívida. Segundo o BIS, há duas opções para lidar com a questão. Uma delas é a reestruturação do endividamento. "Mas os efeitos de um default parcial da dívida soberana seriam extremamente difíceis de controlar, especialmente em razão dos prejuízos com os quais os bancos teriam de arcar", afirma o relatório. A outra opção é a mutualização, pela qual os outros países da zona do euro "pagariam a conta" pelos membros com problemas. "A primeira opção seria difícil de administrar; a segunda, seria difícil de vender para um eleitorado europeu já cético."

Para o BIS, é preciso resolver os desequilíbrios estruturais existentes. Nos países que estão no centro da crise fiscal, isso inclui a redução do endividamento do setor privado para níveis bem inferiores aos vistos na metade da década passada. 


Fonte: O Estadão Online

Taxas de juros precisam aumentar globalmente, diz BIS



As taxas de juros globais devem aumentar para impedir que a inflação alta fique entrincheirada, disse o Banco de Compensações Internacionais (BIS) neste domingo.

O banco também alertou que o atraso do corte de déficits poderia intensificar a crise de dívida soberana e ter graves consequências se os investidores perderem a confiança em uma grande economia como a dos Estados Unidos.

'Com o início de aumentos mais intensos nos preços dos alimentos, energia e outras commodities, a inflação se tornou uma preocupação global,' afirmou o BIS em relatório anual. 'Uma política monetária global mais rígida é necessária para conter as pressões inflacionárias e afastar os riscos à estabilidade financeira.' Dos quatro principais bancos centrais, o Banco Central Europeu é o único que aumentou as taxas desde a intensificação da crise financeira no final de 2008.

Os bancos centrais podem ter de aumentar as taxas de juros a um ritmo mais acelerado do que anteriormente, disse o BIS, acrescentando que, enquanto o crescimento global está robusto, os preços de alimentos e commodities podem continuar altos ou aumentar ainda mais. As potências econômicas do G20 concordaram em Paris na quinta-feira em combater a alta nos preços de alimentos, impulsionando a produção agrícola, a transparência no mercado de alimentos e a coordenação de políticas, depois que os preços mundiais dos alimentos atingiram uma alta recorde no início deste ano.

O acordo é mais uma indicação de que os legisladores globais estão indo além das ferramentas tradicionais para sustentar o crescimento econômico, que mostrou sinais de desaceleração nos últimos meses. Segundo o BIS, as expectativas de inflação sugerem que a credibilidade de longo prazo dos bancos centrais tem sobrevivido por enquanto ao aumento repentino da inflação, mas as taxas de juros devem aumentar para garantir essa sustentação. 'O grande perigo é que as expectativas de inflação no longo prazo começarão a aumentar, e os atuais desenvolvimentos em preço e as posturas políticas estão nos conduzindo na direção errada.'


Fonte: Globo.com

Brasileiros endividados recorrem a grupos de Devedores Anônimos



Dia após dia, uma legião de brasileiros está vendo a vida familiar se desintegrar por um mesmo motivo: o excesso de endividamento. O problema aflige, principalmente, os quase 40 milhões de consumidores que ingressaram no mercado nos últimos 10 anos sem a mínima informação sobre o crédito. São pessoas que, por um bom tempo, se viram privadas de produtos essenciais. Mas, com a grande oferta de empréstimos e financiamentos, puderam satisfazer todas as necessidades — um ganho e tanto para qualquer sociedade, não fossem os juros tão elevados cobrados no Brasil, que, em média, comem cerca de 25% da renda dos lares do país. Nos casos mais extremos, as despesas com dívidas engolem mais de 30% dos rendimentos dos consumidores.

Dados mais recentes do Banco Central e da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicam que 64% das famílias têm, atualmente, algum tipo de dívida. Do total dos consumidores, 53% devem mais do que ganham, 25% têm contas em atraso e quase 9% admitem que não têm mais condições de pagar nada. Diante desse quadro assustador, os devedores pedem socorro. Com medo de perder o bem mais precioso, a família, e, por tabela, todo o suado patrimônio que construíram por décadas de trabalho, eles estão buscando ajuda de escritórios de advocacia especializados em negociar débitos sobre os quais incidem taxas de juros abusivas.

O drama é tamanho que, com o auxílio de advogados, os que têm dívidas em excesso também começam a recorrer a grupos denominados Devedores Anônimos, nos moldes dos Alcoólicos e dos Narcóticos Anônimos. Objetivo: livrar-se da compulsão por comprar. Oficialmente, existem três desses grupos em São Paulo, três no Rio de Janeiro, dois no Paraná e um no Ceará. No Distrito Federal, tentou-se montar algo semelhante, mas faltam voluntários dispostos a coordenar os trabalhos.

“É sempre muito difícil encontrar pessoas que vistam a camisa dessa causa. A maioria que participa dos encontros quer apenas sair do vermelho ou tentar amenizar os sintomas da doença. Em Brasília, ninguém quer ser coordenador do grupo”, diz um dos líderes do Devedores Anônimos de Londrina (PR), que prefere não se identificar por também ser um comprador compulsivo. “Trata-se de uma doença chamada oneomania. Ela não tem cura. Por isso, é preciso estar sempre alerta e vencer um dia de cada vez”, acrescenta.

Em São Paulo, uma integrante de um desses grupos conta que o excesso de dívidas e o desejo irrefreável por consumir a levaram ao distanciamento da própria família. “Quando passei a frequentar as reuniões, meu único objetivo era pagar as dívidas a fim de reconquistar a confiança em minha casa, já que as relações estavam estremecidas”, conta. “À medida que frequentava as reuniões, muitas fichas caíam. Entre elas, tive a percepção dos muitos padrões de comportamento que me levavam ao endividamento excessivo. Um deles foi a incapacidade de dizer não e de fixar limites. Outro foi o hábito de mentir. Mentia para não sofrer retaliações, não ser discriminada no meu círculo de amigos”, relembra.

Extrema necessidade

Os consumidores são atropelados pelas dívidas quando incorporam no orçamento doméstico os limites do cheque especial e do cartão de crédito, as modalidades de financiamento mais caras do mercado, com juros na casa dos 10% ao mês. Na avaliação dos especialistas, qualquer pessoa só deve recorrer a essas linhas em caso de extrema necessidade. O que se vê, no entanto, é que os brasileiros estão comprometendo o grosso dos salários com gastos supérfluos, compram sem pensar, mesmo que os juros cheguem a 600% ao ano, como os cobrados nos cartões de crédito do Itaú Unibanco.
“Para se livrar das dívidas é necessário ter em mente que é preciso combater suas causas e não seus efeitos. E isso só se faz com educação financeira”, explica Reinaldo Domingos, educador financeiro. Ele ensina que, para se livrar do endividamento, é preciso criar uma estratégia. Podem ajudar medidas como negociar com os credores, economizar para comprar à vista e até usar um instrumento liberado pelo Banco Central denominado portabilidade de crédito, no qual se leva o débito para outro banco a juros mais baixos e prazos mais confortáveis para pagamento.

A economista Ione Amorim, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, alerta, contudo, para as armadilhas criadas pelo mercado — ou seja, golpes travestidos de soluções para os devedores aflitos. Uma das artimanhas é o parcelamento das compras já divididas. Na prática, as pessoas compram um produto e dividem o valor em seis prestações. Mas quando recebem o boleto ou a fatura em casa, chega junto a proposta de redividir o débito em até 12 vezes. O problema é que as parcelas originais já carregam juros. E, sobre as 12, há casos em que as taxas chegam a 11% ao mês ou mais de 240% ao ano. Quer dizer: são oferecidos juros abusivos sobre juros. Um crime disfarçado de facilidade para os desesperados.

Mentiras e humilhação

Os especialistas consideram a oneomania uma doença obsessivo-compulsiva. Nesse caso, a pessoa tem comportamentos característicos além de comprar em excesso, como, por exemplo, contar objetos sem conseguir parar. A falta de planejamento torna-se patologia quando as dívida levam infelicidade à vida familiar, tiram a concentração no trabalho e acabam com a reputação. Ainda são listados como sintomas o sentimento de humilhação devido ao endividamento e as mentiras para familiares e credores a fim de gastar mais. 


Fonte: Correio Brasiliense

Tombini terá dificuldade para reduzir meta de inflação, dizem analistas



O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, terá dificuldade em emplacar, até o fim de seu mandato, em 2014, a redução da meta central de inflação do país, segundo economistas consultados pelo G1. A meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que se reúne na próxima quinta-feira (30) para fixar a meta de 2013. O objetivo para 2014 será determinado somente em meados do ano que vem.

Ao assumir o comando da autoridade monetária, em janeiro deste ano, Tombini afagou o mercado financeiro ao repetir o discurso já adotado por outros presidentes da instituição. Ele defendeu, para o futuro, sem citar datas, a redução da meta vigente Atualmente, a meta central de inflação, que serve de base para o BC definir a taxa básica de juros da economia brasileira, é de 4,5% para 2011 e 2012, com um intervalo de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. Com isso, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

"A consolidação dessa política macroeconômica [câmbio flutuante, política fiscal austera e sistema de metas de inflação], combinada ao contínuo aperfeiçoamento do marco legal e regulatório brasileiro, propiciará as condições necessárias para, no futuro, discutirmos a convergência da nossa meta de inflação para níveis mais baixos, semelhantes aos observados nas principais economias emergentes [de 3%]. Esse é um processo que devemos ter a ambição de perseguir no futuro", disse Tombini ao assumir a Presidência do BC, em janeiro deste ano.

Como a decisão é tomada?

O CMN, responsável por fixar a meta de inflação do país, é formado pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Planejamento, Miriam Belchior, e pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. As decisões são tomadas por maioria. Na definição da meta de inflação, porém, o presidente da República, neste caso Dilma Rousseff, costuma ser consultado. Isso porque a definição da meta pode implicar em uma redução do ritmo de crescimento da economia. Metas de inflação menores podem exigir que o BC suba mais os juros, ou baixe-os com menos intensidade, para atingí-las - gerando reflexos no ritmo de expansão econômica e de geração de empregos.

Interlocutores do Ministério da Fazenda já sinalizaram que a meta de 2013, que será definida pelo CMN na próxima semana, deverá permanecer em 4,5% por conta das pressões inflacionárias existentes na economia. Fontes do Palácio do Planalto não se manifestaram sobre a preferência da presidente Dilma Rousseff. Lembraram apenas que Dilma tem a postura de defender o controle da inflação, mas sem "sacrificar" a economia, ou "radicalizar" para que isso aconteça. A presidente é avaliada pelo mercado como tendo um perfil mais "desenvolvimentista".

No BC, por sua vez, pessoas dizem que a intenção de Tombini baixar a meta de inflação no futuro não representa um "embate" com o restante da equipe econômica, ou com a presidente da República. Lembram que a redução é defendida pelo presidente do BC somente se as condições econômicas forem "adequadas".

Analistas do mercado financeiro

Rodrigo Melo, economista da Mauá Investimentos, diz que a tendência do CMN é de manter, na próxima quinta-feira, a meta de inflação em 4,5% para o ano de 2013. "Você tem um cenário de inflação rodando sensivelmente acima da meta. Em 2012, a dificuldade de se alcançar e meta central é bastante grande. Você tem boa parte da inflação que é inercial e tem o componente político da Fazenda", declarou ele.

O analista diz que a convergência para uma meta de inflação menor no país seria "bastante gradual". "[A redução da meta até 2014] não depende só do Tombini. Ele vai ter de convencer o ministro da Fazenda, do Planejamento. Tem que convencer a Dilma também, que é o mais importante de tudo. Fica meio complicado. Colocaria probabilidade sensivelmente abaixo de 50% [de a meta ser reduzida até o fim do mandato de Dilma]", disse Melo.
Para Carlos Kawall, economista-chefe do banco Safra e ex-secretário do Tesouro Nacional, a meta de inflação de 2013 deverá ser mantida em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional na semana que vem. Para 2014, ele também acredita que o cenário mais provável é de manutenção da meta central, decisão que só será tomada em 2012, no mesmo patamar.

"Acho que desde o governo Lula, e dando continuidade [no governo Dilma], já existe essa percepção de que, por vários fatores ligados à rigidez, com a indexação e tudo, a meta de inflação não pode ser muito baixa. Então, acho que a probabilidade deles manterem essa linha é altíssima. Talvez mais para frente, se for possível avançar na agenda de desindexação, é possível ter alguma mudança. Em 2014, a probabilidade talvez seja de manter", declarou Kawall.

Ele lembrou que o CMN, colegiado que fixa as metas de inflação, é formado por membros do poder Executivo. "No final, quem vai decidir é a presidente da República. Apesar de se desejar que a inflação seja mais baixa, tem uma lição de casa para fazer que é [combater] a indexação. Temos contratado o aumento do salário mínimo nos próximos anos. É outro fator que dificulta", lembrou o economista.


Fonte: Globo.com

Cartão pré-pago vira alternativa ao crédito nas compras ao exterior



Os turistas que quiserem fugir do imposto maior nas compras feitas no cartão de crédito, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), podem lançar mão nestas férias do cartão pré-pago - modalidade que já responde por 25% dos pagamentos em compras feitas no exterior, segundo levantamento feito pela Confidence Câmbio. O IOF menor nas operações (de 0,38% contra 6,38% do cartão de crédito), a possibilidade de fazer a recarga pela internet e o controle da fatura por e-mail tem feito o produto ser um dos preferidos pelos adolescentes que viajam desacompanhados dos pais, segundo Paulo Volpe, vice-presidente de marketing do Grupo Confidence.

- O cartão pré-pago é hoje o travel check digital. A tendência é que o uso chegue a 50% em relação às outras modalidades de pagamento. O dinheiro nunca será substituído, mas a tendência natural é o uso do cartão, uma vez que ele é mais seguro para as compras. Tirando a diferença do imposto, o cartão possui a mesma relação de tarifas que os demais, como os saques em caixas automáticos e outros serviços. O cartão pode ser carregado na moeda local, sendo feita apenas uma única conversão. Por exemplo, se o turista viajar para os Estados Unidos, a recarga pode ser em real e a conversão é feita uma única vez em dólar, evitando a conversão dupla na compra e na hora do pagamento da fatura.

Fonte: Record

Bancos europeus participarão do socorro à Grécia


Grandes bancos da Alemanha e da França sinalizaram no fim de semana, em Berlim e Paris, que vão participar do novo plano de socorro à Grécia como último esforço para salvar o país da bancarrota. Atendendo à intimação dos governos de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, os investidores privados devem aceitar postergar as datas de vencimento dos títulos da dívida soberana já emitidos por Atenas, como uma "contribuição" avaliada em cerca de € 30 bilhões.

O objetivo da participação dos investidores é reduzir a pressão sobre as contas públicas do país e emitir um sinal ao Parlamento grego, que avalia um novo pacote de rigor nesta semana. Por isso, os indícios de que grandes instituições financeiras da Europa estão prontas para contribuir no plano se multiplicaram nos últimos dias.


O sinal mais importante veio no fim de semana, quando a Federação de Bancos Privados (BdB), da Alemanha, entidade que reúne instituições como Commerzbank e Deutsche Bank, confirmou que participará do plano da União Europeia (UE), do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao jornal Neue Osnabrücker Zeitung, Michael Kemmer, presidente da instituição, afirmou que o sistema financeiro do país está pronto "a aportar sua contribuição".

Segundo cálculos do Bundesbank, o banco central alemão, e da própria BdB, a "exposição" do sistema financeiro do país aos títulos da dívida grega não supera os € 20 bilhões. "Todos estão conscientes de suas responsabilidades. Todo mundo sabe que o euro é muito importante, que a Grécia é muito importante para a zona euro e está claro ser necessário se engajar nas medidas de estabilização", disse Kemmer.

Um acordo semelhante entre o Palácio do Eliseu com os maiores bancos e seguradoras franceses também já foi selado, segundo garantiu na sexta-feira Nicola Sarkozy. Entre as instituições envolvidas, estão BNP Paribas, que detém € 5 bilhões em obrigações da dívida grega, Société Générale, com € 2,5 bilhões, e Crédit Agricole, com € 600 milhões. Também o banco franco-belga Dexia, que soma € 5,4 bilhões em títulos gregos, disse estar pronto para integrar o resgate.

Em troca da "participação voluntária" - o que, na prática, torna a medida um "rollover" e não uma moratória -, os governos das maiores potências europeias devem oferecer garantias públicas aos títulos da dívida grega, para o caso de falência. "É evidente que nós temos incentivos", disse Kemmer na quarta. Caso a "contribuição" privada chegue, de fato, aos € 30 bilhões, o valor com o qual a UE, o BCE e o FMI terão de socorrer a Grécia na próxima semana cairá para cerca € 80 bilhões. Essa estimativa se baseia na revelação do primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, que na sexta-feira informou que o novo plano de resgate deve ser "similar" ao primeiro socorro, de € 110 bilhões, assinado em maio de 2010. Além do novo pacote de auxílio, a Grécia ainda tem a receber € 57 bilhões relativos a este empréstimo, dos quais € 12 bilhões devem ser liberados no dia 3 de julho.

Todos esses valores, entretanto, dependem da aprovação até quarta-feira pelo Parlamento grego de um novo programa de austeridade, cujo montante atingirá € 28 bilhões até 2014. Preocupados em mobilizar a classe política grega na próxima semana, líderes da UE se sucedem em declarações aos deputados e à população da Grécia. À rede TV5 Monde, Jean-Claude Juncker, coordenador do fórum de ministros de Finanças da Europa (Eurogrupo), pediu ontem "união nacional". Sobre a semana de alto risco político, Juncker afirmou: "Nós partimos do princípio de que este plano será aprovado". 

Fonte: O Estadão Online