A economia brasileira pode superar os eventuais desequilíbrios produzidos pelo derretimento do mercado financeiro mundial. Para Luiz Awazu, diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, a saída está no mercado interno.
"Nosso modelo macroeconômico é muito equilibrado", diz Awazu, "não dependemos excessivamente do mercado externo".
Awazu dirige a área mais pressionada do BC nestes dias, de Assuntos Internacionais, que é justamente aquela que agrega dados e insumos sobre a economia mundial que depois são apresentados aos demais diretores e ao presidente do BC, Alexandre Tombini.
Para Awazu, o país deve se aproveitar de seu mercado doméstico para contrabalançar o recrudescimento da crise mundial, mas sem se descuidar dos excessos provocados por novos estímulos ao consumo.
"Existe consciência de que é preciso ter uma política de incentivo ao aumento da oferta de bens e serviços, combinada a moderação do credito ao consumo, de forma a evitar o endividamento excessivo das famílias."
Awazu participa agora de seminário promovido em conjunto pela SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) e o Ministério da Fazenda.
DILMA
A presidente Dilma Rousseff afirmou hoje que o Brasil está em uma situação "muito mais sólida" do que em 2008, na última crise financeira. "É a segunda vez que a crise afeta ao mundo e é a segunda vez que o Brasil não treme. Vocês lembram muito bem como era no passado", disse ela. A presidente também reforçou que os bancos brasileiros, públicos e privados, estão "robustos" porque praticaram uma "política muito sóbria".
Dilma afirmou que o mercado interno é uma "grande vantagem" que o país tem. "Estamos incentivando e tomando todas as medidas para que práticas de concorrências desleais não nos afetem", disse.
Mesmo assim, a presidente disse esperar que os EUA e Europa se recuperem, para que voltem a consumir como antes. "São grandes economias, é fundamental para todos os países do mundo que Estados Unidos e Europa voltem a consumir, a investir."
A presidente criticou a falta de política fiscal na Europa e EUA, disse que eles devem "tomar providências", não o Brasil, e afirmou mais uma vez que foi uma "insensatez" o impasse político nos EUA na semana passada, que ameaçou toda a economia mundial.
Fonte: Folha Online
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