O brasileiro está mais cuidadoso com a própria grana e começou a controlar melhor as próprias contas por causa dos juros altos. É o que mostra o Índice Serasa Experian de Inadimplência, divulgado nesta terça-feira (16), que registrou crescimento de 2,9% no último mês. Esta foi a segunda menor alta do ano.
Quase metade entrou no vermelho no cheque especial ou ficou devendo alguma coisa de um empréstimo obtido em um banco. A dívida bancária foi a que elevou o índice de inadimplência, com crescimento de 5,2% no período.
Ao mesmo tempo em que esse tipo de calote cresceu, o valor do débito passou de R$ 1.324,09 para R$ 1.308, 39, uma queda de 1,2%. Isso significa que, apesar de ainda haver contas a pagar, o consumidor está devendo cada vez menos.
Atrás, vêm as pendências com cartão de crédito, financeiras, lojas em geral e contas de serviços como água e luz, as chamadas dívidas não bancárias. Elas também respondem por uma grande fatia das dívidas dos brasileiros.
Houve crescimento de 1,2% entre junho e julho, mas o valor foi menor do que o visto nos meses anteriores. O valor médio desse tipo de calote caiu de R$ 384,37 para R$ 301,21 (ou 21,6%).
Mas quem tem a maior dívida é o consumidor que se teve os títulos protestados.
O valor médio a ser pago subiu 14,6% e foi de R$ 1.162,20 para R$ 1.332, 34.
Os famosos “cheques voadores” apresentaram queda de 2%, no entanto, endividaram mais, com média de R$ 1.324,82, uma alta de 7,7% em relação a julho do ano passado.
Segundo os economistas da Serasa, o cuidado também é com o comprometimento da renda e a oportunidade de pagar contas pendentes com a política restritiva para controle da inflação.
- Diante da política econômica restritiva para controle da inflação, o consumidor aproveita a evolução de sua renda para priorizar o pagamento e a renegociação das dívidas assumidas e ainda dá sinais de menor demanda por novos créditos.
Em outras palavras, os economistas da Serasa apontam que está fazendo efeito a política do governo de controlar a inflação. A taxa de juros básica do país, a Selic, está em 12,5% e isso encarece os empréstimos como um todo.
Com isso, pegar grana para reformar a casa ou trocar o carro fica mais caro – e o brasileiro prefere adiar o negócio ou pensa duas vezes antes de entrar em um endividamento pesa.
Fonte: Record
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