O indicador de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) apontou a primeira queda para um mês, na série dessazonalizada (sem levar em contas os efeitos sazonais) desde dezembro de 2008, período da crise financeira internacional. De acordo com os dados divulgados ontem, o IBC-Br apresentou recuo de 0,26% ante maio, e na série sem ajustes, a retração foi de 2,48%. Por outro lado, o indicador mostrou alta de 3,07%, em relação a junho de 2010, e avanço de 2,93%, sem ajustes sazonais.
O economista da Tendências Consultoria, Rafael Bacciotti, explica que a queda do IBC-Br em junho já era um movimento esperado. "A retração da produção industrial acabou refletindo neste resultado, que está em linha ao que esperávamos", diz ele, ao se referir ao cálculo da consultoria que previa uma ligeira alta da atividade econômica de 0,1% em junho ante maio e que indica uma desaceleração ante o crescimento esperado pela Tendência de abril para maio (0,7%).
Com os números de junho, o indicador do BC registrou alta de 0,69% no segundo trimestre ante os três primeiros meses deste ano. Este resultado mostrou, contudo, desaceleração na comparação com o IBC-Br do primeiro trimestre na margem (quando houve avanço de 1,14% ante o último trimestre de 2010).
Segundo Bacciotti, a atividade varejista, que cresceu 0,7% do primeiro trimestre para o segundo período, segurou o resultado até junho. "O mercado de trabalho deve continuar aquecido o que deve favorecer o consumo", analisa o economista.
Já o professor da Escola de Negócios da Anhembi Morumbi, Osmar Visibelli, afirma que os dados divulgados pela autoridade monetária mostraram que houve uma retração do varejo em junho, acompanhado de uma estabilidade da capacidade produtiva. "Mas são números que não assustam", ressalta o professor.
O cálculo do Banco Central revelou ainda que no primeiro semestre houve expansão de 3,74%, na série com ajustes, e alta de 3,78%, na série original. Em relação ao segundo semestre do ano passado, a expansão do IBC-Br foi de 1,94%, o que aponta para um crescimento anualizado de 3,92%. Nos últimos 12 meses encerrados em junho, a alta do indicador do BC foi de 4,89%, com ajustes sazonais, e de 4,88%, na série original.
O IBC-Br é considerado como um bom indicador para antecipar o resultado do
Produto Interno Bruto (PIB) - divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - e, assim, ajudar a autoridade monetária na definição da taxa básica de juros (Selic). Atualmente, a taxa está em 12,50% ao ano. A expectativa do mercado é que no próximo dia 31 deste mês, o Comitê de
Política Monetária (Copom) encerre o aperto monetário neste patamar.
Para alguns especialistas, o resultado de junho do IBC-Br confirma que a Selic deve se manter a 12,50% até o final de 2011. Bacciotti diz que a queda de 0,26% na atividade econômica no sexto mês do ano vai ao encontro dessa estimativa. No entanto, para ele, sinalizações do BC já indicam o fim do aperto.
"Ainda há muitas incertezas com relação ao ritmo da inflação", diz.
Visibelli afirma que se o Copom permanecer com sua análise técnica e autônoma, a Selic fechará em 12,50%, mas se ocorrer uma pressão política, a taxa básica de juros poderá ser reduzida.
Tendência
Para o professor da Anhembi, um agravamento da crise internacional não irá impactar o PIB brasileiro neste ano. E a tendência é que retrações da produção industrial e no varejo sejam mantidas, mas não em números alarmantes. "Se ocorrer uma turbulência, os efeitos serão sentidos mais em 2012. Porém, acredito que a campanha presidencial do ano que vem nos Estados Unidos acrescentará uma temperatura maior ao país do que um problema financeiro", comenta. Para ele a economia brasileira crescerá abaixo de 4% em 2011.
O economista da Tendências endossa a análise do professor. Segundo ele, a consultoria mantém a previsão de aumento de 3,9% do PIB, com viés de baixa. Ou seja, é possível que ocorra uma revisão.
Fonte: Diário da Indústria e Comércio
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