Mesmo com lucros recordes e inadimplência estável, os grandes bancos brasileiros estão cada vez mais protegidos contra um eventual aumento nos níveis de atraso das operações de crédito. Segundo relatório da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o índice de cobertura médio das instituições financeiras fechou o mês de junho em 170% do total de parcelas com atraso superior a 90 dias. "A proporção é elevada, acima da de antes da crise de 2008, quando os bancos elevaram suas provisões antecipadamente para fazer frente ao cenário adverso", direciona o informativo.
Os bancos públicos se destacam neste quesito, ao mesmo tempo em que impulsionaram também suas carteiras de crédito. Ao fim de junho, a Caixa atingiu índice de 310% em operações com mais de 90 dias de atraso. O Banco do Brasil também manteve a prudência na gestão de risco de crédito. O saldo de provisão encerrou o trimestre em R$ 17,7 bilhões, com índice de cobertura de 226,5% em dívidas acima de 90 dias.
O nível de atrasos em pessoa física do Bradesco passou de 6,3% para 5,7% da carteira total. Mesmo diante da queda, os níveis de provisão continuam em alta, para R$ 17,365 bilhões, com índice de cobertura acima de 90 dias em 189%.
O Itaú Unibanco apresentou queda do índice de cobertura em junho, de 173% em março para 166%. O saldo de provisão aumentou 7%, para R$ 23,775 bilhões. Já o Santander elevou a cobertura para operações vencidas há mais de 90 dias, de 142,2% no primeiro trimestre deste ano para 143% em junho, com provisão de R$ 7,569 bilhões.
A inadimplência dos consumidores no País subiu 2,9% em julho ante junho, a segunda menor elevação do ano, de acordo com pesquisa divulgada ontem pela Serasa Experian. O levantamento também mostra que o nível de atraso em julho cresceu 27,7% em relação ao do mesmo mês do ano passado, e avançou 22,5% de janeiro a julho de 2011 perante o mesmo período de 2010.
O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, disse ontem, após reunião com o Ministério da Fazenda, que a tendência é diminuir o ritmo da concessão de crédito ao consumo. "Vamos priorizar o crédito produtivo."
Fonte: Diário do Comércio e Indústria
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