Se
operadores e analistas demonstraram ter ficado sem norte com o surpreendente
corte de 0,5 ponto percentual da taxa Selic, os juros futuros ganharam um rumo
claríssimo: o de forte baixa. Nenhum dos argumentos do Banco Central em seu
extenso comunicado após a decisão de ontem convenceu as mesas de renda fixa
sobre a lógica da redução e os dois indicadores de preços conhecidos ontem -
IPC-S e IPP - reforçaram a visão de muitos profissionais de que "a
política de metas de inflação" não existe mais, dando espaço a uma nova
política econômica que preza por manutenção do crescimento, esforço fiscal
"duvidoso" e inflação no teto do que seria a meta.
Diante
disso, ao término da negociação normal na Bolsa de Mercadorias & Futuros
(BM&F), a taxa projetada pelo contrato futuro de depósito interfinanceiro
(DI) de vencimento em outubro de 2011 cedia para 11,897% ao ano, de 12,29% no
ajuste de quarta, com volume negociado de 2.364.980 contratos. O DI de janeiro
de 2012 projetava taxa de 11,38% ao ano, de 11,94% no ajuste de quarta-feira,
com volume de 1.344.750 contratos negociados ontem.
O DI
de janeiro de 2013 (498.300 contratos negociados) indicava 10,51% ao ano, de
11,08% na véspera. Nos vencimentos de longo prazo, o volume de negócios não foi
tão expressivo quanto nos curtos, mas a volatilidade foi grande, com a
devolução de prêmios sendo confirmada à tarde. O DI de janeiro de 2017 (94.430
contratos) foi da máxima de 11,54% à mínima de 11,07% ao longo do pregão,
fechando em 11,09% ao ano, de 11,41% no ajuste de quarta.
O DI de janeiro de
2021 (2.775 contratos) oscilou entre a mínima de 11,10% e a máxima de 11,55% ao
ano, terminando em 11,12% ao ano, de 11,36% no ajuste do pregão anterior.
A
percepção do mercado é de que, se ainda há regime de metas da inflação, este não
é e não será mais o mesmo no curto prazo. Ao reduzir o juro de 12,50% para 12%
ao ano, em uma decisão com 5 votos a favor e 2 dissidentes pela manutenção, o
Comitê de Política Monetária (Copom) do BC fez algo inédito desde a vigência do
regime de metas: alterar o rumo de um ciclo sem nenhuma pausa ou sinalização.
A
começar pela presidente Dilma Rousseff, o governo se apressou em afirmar que o
Banco Central continua autônomo. Em entrevista às rádios Itatiaia e Congonhas,
de Minas Gerais, a presidente comentou a decisão do Copom, dizendo que falava
em nome do governo federal. "O Copom fala pelo Copom, eu falo em nome do
governo federal", disse, rebatendo as críticas de que a autoridade
monetária teria reduzido os juros por pressão política do Palácio do Planalto.
À tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também negou ter tido
influência.
Fonte: Diário do Comércio e Indústria
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