Para
muitos, a autoridade monetária finalmente desistiu de perseguir as metas de
inflação, ou admitiu, implicitamente, de que não considera factível atingir os
objetivos deste ano nem do ano que vem (4,5%, com tolerância de dois pontos
percentuais).
Em seu
comunicado oficial, os diretores do BC enfatizam as consequências da crise
internacional, que provocariam um "viés desinflacionário no horizonte
relevante", isto é, ajudariam a amenizar a alta dos preços domésticos.
"A
minha opinião, e acho que boa parte do mercado também pensa assim, é de que a
crise [mundial] de hoje não tem essa magnitude que o BC está dizendo.
Para mim,
ele está fazendo essa aposta sozinho. Veja bem, nós ainda estamos discutindo se
os EUA devem crescer menos ou entrar numa recessão, quer dizer, não há certezas
disso ainda", comenta Luiz Gustavo Medina, economista da M2 Investimentos.
Para
Medina, o BC "jogou a toalha" em seu objetivo de perseguir as metas
de inflação tanto deste ano quanto do próximo. O economista ressalta as dificuldades
da autoridade monetária para cumprir seus objetivos: a taxa de desemprego em
níveis historicamente baixos, o aumento do salário mínimo e as pressões de
consumo. "Nós teríamos que ver uma crise realmente grande para trazer a
inflação para o centro da meta [4,5%]", pondera.
"O
mercado está comemorando o fato de que o BC está ajudando a economia a se
fortalecer, mas isso não é função dele. O único mandato dele é combater a
inflação", acrescenta.
O
economista da corretora Concórdia, Flávio Combat, também lembra que os preços
das commodities seguem pressionados, num cenário ainda de crescimento das
economias emergentes.
"O
BC aposta alto na capacidade do ambiente externo em promover o ajuste
necessário para trazer a inflação novamente ao centro da meta, numa conjuntura
doméstica que aponta para o caminho oposto", reforça Combat, em relatório
divulgado nesta manhã sobre a decisão do Copom.
Fonte: Folha Online
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