Comprar sem consultar o marido é um problema e tanto para a dona de casa Débora Vieira, de 49 anos. Consumidora assumida, não faltam histórias de gastos abusivos e supérfluos. “A minha última loucura foi comprar uma bolsa de R$ 1 mil. Para o meu marido eu disse que ela custou R$ 300, e mesmo assim ele já achou um absurdo”, revela.
Mas não é sempre que Débora consegue se sair bem nas mentiras. "Teve uma vez em que eu comprei um sofá novo, com um valor bem acima do nosso orçamento. Mas, no dia da entrega a domicílio, foi o meu marido quem assinou o comprovante e não teve jeito: ele viu o valor total da compra. Mas acabamos ficando com o sofá, mesmo contra a vontade dele.”
Qual o limite da mentira?
A psicóloga e professora da USP (Universidade de São Paulo) Leila Cury Tardivo vê a infidelidade financeira entre casais como um problema de comunicação. “Dependendo do tipo de relação que o casal estabelece, o parceiro não tem confiança em contar tudo para o outro, tem medo de ser criticado pelas suas vontades e atitudes, grande parte por culpa da falta de diálogo e compreensão”.
Mas até que ponto é correto ter um gasto e não contar para o parceiro? Leila acredita que, se a mentira for muito constante e sair totalmente do controle, ela passa a ser preocupante.
“Existem casos sérios de pessoas que quebram todos os limites gastando muito além do orçamento da família, que mentem constantemente, onde as pequenas mentiras se tornam imensas, prejudicando todos ao seu redor”.
Débora só foi perceber que a situação estava saindo do controle quando recebeu o extrato do cartão de crédito com R$ 10 mil em dívidas. “Naquele momento eu percebi que havia passado dos limites e do quanto estava sendo injusta gastando o dinheiro que também era do meu marido”, diz.Essa situação rendeu discussões para o casal e foi o momento mais próximo de uma separação. “Ele olhou nos meus olhos e disse que aquilo já estava virando uma doença. Se eu não parasse, ele iria pedir o divórcio”.
Leila alerta que as brigas decorrentes de finanças conjugais podem desgastar a relação perigosamente. “A própria mentira constante, a dificuldade de compartilhar as finanças já mostra que a união não está sendo harmoniosa, e o desacordo com o dinheiro pode sim levar ao divórcio”.
Como evitar as brigas
O economista Rafael Paschoarelli acredita que a melhor solução para evitar problemas é ter uma conta única, para que ambos possam ter acesso ao orçamento da casa. “O ideal seria um casamento total, no qual as contas fossem conjuntas para ambos saberem o que está acontecendo”.Porém, nem tudo está perdido. Algumas medidas podem facilitar na hora de controlar aquelas tentações indesejadas. “A ideia é sair sem o cartão de crédito, levar dinheiro contado e fazer uma lista só com produtos urgentes. Mas é preciso sair de casa com o proposito de seguir essas regras”, lembra o economista.
Outra dica tem a ver com organização. “O casal precisa colocar em uma planilha os gastos mensais e o que sobrar é o que pode ser consumido”.
Por isso, a união de um casal deve existir até nas finanças, afinal ninguém quer vivenciar a expressão: "até que o dinheiro os separe".
Fonte: e-Band
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