Se o bolso não acompanha a nossa vontade, ora, tem o bolso dos outros. “Estou construindo, então eu tenho pedreiro para pagar, outros financiamentos, o restante do material, uma série de coisas. A gente só consegue fazer se for financiado”, diz a coordenadora de vendas Tais Regina Pereira.
“O orçamento é pequeno, então a gente tem que ir empurrando com a barriga”, fala o técnico em radiologia Wender Araújo.
Mas empurrar um peso desses não é para qualquer barriga. Levantamento do Banco Central mostra: os juros que os bancos cobram das pessoas físicas subiu de 40% ao ano, em dezembro, para 43%, em janeiro. É a taxa média mais alta desde outubro de 2009.
Pelo visto, os consumidores já entenderam. Bastou as taxas subirem para eles financiarem menos. O número de novos empréstimos caiu 9%. É isso que o governo esperava. Em dezembro, o Banco Central anunciou medidas para diminuir o crédito e, assim, tirar alimento da inflação. Por exemplo: reduziu a quantidade de dinheiro que os bancos podem emprestar.
“Sobre concessões, podemos notar ainda de forma mais evidente o recuo das concessões para veículos no mês que caíram 33,5% de dezembro para janeiro; o crédito pessoal caiu 10,2%”, fala o chefe-adjunto do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel.
Além daquelas medidas, a taxa básica de juros, que serve de referência para o mercado, também subiu e ajudou a deixar o crédito mais caro.
“A alta de juros não é simpática para ninguém, mas quando você tem uma situação em que a expansão do crédito está puxando muito a demanda, isso faz parte, isso é um dos elementos que afeta a inflação e as expectativas de inflação. É importante haver essa medida de política monetária reduzir de alguma maneira a velocidade que o credito aumenta”, fala o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.
Fonte: Globo.com
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