O ministro da Fazenda, Guido Mantega, respondeu na sexta-feira às críticas do FMI (Fundo Monetário Internacional) à situação fiscal da economia brasileira. "[O relatório] traz algumas informações equivocadas sobre o Brasil. Dizem que teve a deterioração da situação fiscal do Brasil. Isso é um equívoco.
Olhando o resultado [das contas do governo central, divulgados na manhã desta sexta-feira] nós estamos tendo uma melhoria fiscal", afirmou o ministro. "O diretor-gerente deve ter saído de férias e algum daqueles velhos ortodoxos escreveu essas bobagens sobre o Brasil", provocou.
De acordo com o resultado do governo central -- composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social -- o superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) foi de R$ 79 bilhões, superando a meta estipulada pelo governo para 2010, de R$ 76 bilhões.
"Os resultados mostram que estamos melhorando a condição fiscal. O diretor-gerente [do FMI] Dominique Strauss-Kahn já havia sugerido o que fizemos. Esse é um relatório não muito importante e isso não reflete a opinião do Dominique, que não deve nem ter lido esse papel.
O FMI tem hoje um 'staff' de primeira linha, mudou sua filosofia em relação ao ano passado, não são mais aqueles conservadores empedernidos do passado. Isso foi um lapso de algum técnico que, durante as férias de outros técnicos, foi lá e escreveu essa conclusão apressada", afirmou.
Contudo, Mantega reconheceu que o setor público consolidado (que além do governo central também conta com as empresas estatais, Estados e municípios) não conseguirá atingir a meta de superavit primário ao final do ano, que é de 3,1% do PIB (Produto Interno Bruto), e terá de lançar mão do abatimento de parte dos gastos realizados com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O resultado será divulgado na próxima segunda-feira, pelo Banco Central.
"A meta de 2010 para o governo central está cumprida, 2,15% do PIB, está no relatório divulgado hoje, então nós cumprimos a meta cheia [sem os abatimentos do PAC]. Agora, em relação a Estados e municípios, eu sinceramente não acredito que eles vão cumprir totalmente, então vai faltar alguma coisa para completar os 3,1%, e isso se dará com uma parte do PAC", disse.
Fonte: Folha.com
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