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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Executivo brasileiro ganha mais

Os executivos brasileiros ganham mais que seus pares nos Estados Unidos, na Inglaterra, em Cingapura e em Hong Kong, de acordo com pesquisa da AESC (associação de recrutadores de executivos, na sigla em inglês), divulgada em reportagem publicada nesta quinta-feira (27) pelo site da revista britânica The Economist. 
Usando outra pesquisa, realizada pela consultoria brasileira Dasein Executive Search, a matéria afirma que a AESC descobriu que os executivos e diretores ganharam mais grana em São Paulo – “a capital brasileira dos negócios” - em 2010 que os funcionários que exercem a mesma função em Nova York e Londres. 
As pesquisas compararam as bases salariais, embora os bônus no Brasil também sejam generosos, segundo David Braga da Dasein. A comparação não leva em conta o custo de contratação no Brasil, cujos impostos da folha de pagamento estão entre os mais altos do mundo.
Os presidentes de empresas brasileiras em São Paulo receberam, em média, mais de R$ 1 milhão (US$ 600 mil), enquanto em Nova York eles ganham pouco mais de R$ 923 mil (US$ 550 mil), mesmo patamar de Londres, segundo a pesquisa da Dasein.
Uma das razões para o crescimento dos vencimentos dos executivos é a falta de pessoal especializado para todos os níveis, segundo a revista.
Brasil, China e Índia observam um forte aumento do nível de emprego nos últimos anos, mas, de acordo com a consultoria Manpower, a incompatibilidade entre a procura e a oferta de vagas é mais forte no Brasil, onde 64% dos executivos reportam dificuldades para encontrar postos – contra 40% da China e 16% da Índia.
Executivos com bagagem técnica são especialmente escassos no Brasil. A descoberta de grandes quantidades de petróleo e os planos de ampliação da infraestrutura evidenciam que a demanda por profissionais está aumentando, mas o Brasil forma 35 mil engenheiros por ano, enquanto a Índia forma 250 mil e China, 400 mil.
A força do real coloca o Brasil artificialmente nas primeiras posições das listas mundiais que comparam pagamentos. Mas, mesmo em reais, o salário dos executivos ultrapassa a casa dos dois dígitos no ano, segundo Edilson Camara da empresa de recrutamento Egon Zehnder.
Dirigentes de empresas da China e da Índia colhem ganhos semelhantes, mas com uma base menor. As multinacionais, segundo a The Economist, que costumavam implantar suas sucursais da América Latina em Miami, Buenos Aires e México estão mudando as filiais para São Paulo.
A onda de aquisições de empresas menores por corporações estrangeiras e a operação de empresas brasileiras no exterior estão fazendo crescer a demanda por gerentes com experiência internacional.

A solução para resolver o problema da falta de gente especializada é alimentar os talentos internos, diz o Alexander Triebnigg, que comanda as operações da Novartis – uma farmacêutica suíça - no Brasil.
 
Os brasileiros costumam ser leais, o que, segundo ele, significa que as empresas com os planos de desenvolvimento de carreira são menos suscetíveis à perda de talentos. Entretanto, essa lealdade, segundo a reportagem, tende a inflacionar o mercado.

- Se você quer fazer um brasileiro a trocar de
 emprego, você tem que oferecer a ele muito dinheiro. Na China, os executivos trocam de emprego por apenas um pouco mais do que ganham.
Muitas empresas estão procurando profissionais de direção fora do Brasil, mas a criminalidade em São Paulo – que, segundo a matéria, está mais segura do que antes, mas ainda possui o dobro da taxa de assassinatos de Nova York – e a necessidade de compreender e falar português afastam interessados.

Mesmo as maiores empresas brasileiras não são capazes de atrair os profissionais mais ambiciosos, explica Edilson Camara.

- Alguns profissionais nem querem escutar sobre a complexidade e o tamanho de algumas empresas brasileiras das quais eles nunca ouviram falar.

Os maiores beneficiados da guerra por talentos do Brasil são os gerentes brasileiros que trabalham no exterior, segundo a matéria.
 
O representante da Dasein afirma que realizou a pesquisa de salários para tentar entender o porquê de receber cerca de dez currículos por dia de brasileiros que vivem em outros países e estão pensando em voltar para casa.


 
Fonte: Record

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